Moscou condena exumação de soldados soviéticos em Tallin

Agência EFE

MOSCOU - A Rússia condenou nesta quinta-feira o início dos trabalhos para exumar cadáveres sepultados num monumento em Tallinn, a capital da Estônia, em memória dos soldados soviéticos que lutaram na Segunda Guerra Mundial.

- A Estônia tenta reescrever a Segunda Guerra Mundial e consideramos desumana a exumação de cadáveres do monumento, disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo, Mikhail Kaminin.

O monumento fica na Praça de Tonismagi, no centro de Tallinn, onde supostamente jazem os restos de pelo menos 13 soldados soviéticos mortos em território estoniano em combates com as tropas nazistas, em setembro de 1944.

- É claro que isso influirá nas relações bilaterais, disse o porta-voz.

A Chancelaria russa entregou ao embaixador estoniano em Moscou uma nota de protesto.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Defesa da Estônia informou que militares estonianos começaram a exumação de cadáveres do monumento para sua identificação e posterior sepultura em outro local.

Conhecido como Soldado de Bronze por alguns e como Soldado Libertador por outros, o monumento divide a população da Estônia, que debate o papel do Exército soviético durante o conflito.

Segundo a agência russa 'Interfax', esta madrugada unidades da Polícia estoniana bloquearam o acesso ao monumento e ruas próximas. Os agentes expulsaram ativistas de um movimento a favor da conservação do memorial. Alguns deles foram detidos.

Os restos sepultados na Praça de Tonismagi podem ser exumados devido a uma lei que estabelece que os restos de soldados mortos em combates na Estônia devem ser sepultados em cemitérios. Para as baixas da Segunda Guerra Mundial, o local reservado é um cemitério militar em Tallinn.

Depois da retirada dos corpos, o monumento poderia ser demolido em razão de outra lei, que ainda não entrou em vigor, porque foi vetada pelo presidente Toomas Hendrik Ilves.

A maioria da população de origem étnica estoniana (67,9%) apóia a exumação e a demolição do monumento, já que consideram que o Exército soviético foi uma força de ocupação. A população de origem eslava (31,2%) defende a preservação.