Representantes desafiam Casa Branca com voto sobre retirada do Iraque

Agência EFE

WASHINGTON - O chefe das forças dos EUA no Iraque, general David Petraeus, afirmou no Congresso que estabelecer um calendário para a retirada das tropas, como faz uma lei cuja votação está prevista para esta quarta-feira, transformará este país árabe em um caos.

A visita de Petraeus ao Capitólio acontece a pedido do presidente George W. Bush, que tenta de todas as formas convencer os legisladores a não imporem calendários para a retirada do Iraque.

Petraeus realiza sua missão a portas fechadas, e, por enquanto, não transcendeu nada do exposto, salvo sua advertência sobre as conseqüências que, na sua opinião, uma retirada das forças dos Estados Unidos terá.

Enquanto isto, os legisladores seguem em frente com o debate de uma proposta de lei consensual entre democratas e republicanos que fixa, de forma não vinculativa, um calendário para a retirada dos mais de 150.000 soldados no Iraque, em claro desafio aos desejos da Casa Branca.

Segundo o texto final, a retirada das tropas de combate deve começar em outubro e acabar antes do dia primeiro de abril de 2008. Os soldados que permanecerem no Iraque atuarão apenas em operações de capacitação e de atividades anti-terroristas.

O projeto de lei prevê uma alocação extraordinária de fundos de cerca de US$ 124 bilhões.

Uma vez aprovada pela Câmara de Representantes, onde se espera que esta votação seja submetida esta noite, a proposta será apresentada no Senado, cujo plenário a votaria na próxima quinta.

O debate sobre o Iraque e como iniciar uma estratégia de retirada foi protagonizado pelo Congresso, entidade que controla os fundos, e pela Casa Branca, que tem autoridade constitucional sobre o controle do conflito.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, lamentou hoje a 'muito trágica situação' no Iraque, mas reiterou que o presidente Bush vetará o projeto de lei caso este inclua um prazo para a retirada das tropas, pois isto 'deixará um vácuo de poder' no país árabe.

Ela acrescentou que Bush não governa com base nas pesquisas, mas está convencido de que o novo plano de segurança para Bagdá, a cargo do general Petraeus, surtirá efeito.

O vice-presidente Dick Cheney também participa da ofensiva política da Casa Branca, ao afirmar que os democratas têm uma atitude 'pessimista' e só ajudam o inimigo.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, não deixa crítica sem resposta e afirmou que Bush se encontra em um 'estado de negação', pois não quer ouvir a verdade sobre a deterioração das condições no Iraque.

Durante dois dias consecutivos, Reid inclusive chegou a descrever Cheney como o 'cão de guarda' do líder americano.

Além do cronograma para a retirada militar, a Casa Branca também se irrita com o fato de o projeto de lei incluir despesas não relacionadas com os esforços militares no Iraque e no Afeganistão.

Cedendo a pressões políticas, os legisladores eliminaram a maioria destes fundos supérfluos, como subsídios para os plantadores de espinafres ou a armazenagem de amendoins, e fundos para a segurança das convenções presidenciais de ambos partidos no próximo ano.

O debate sobre o Iraque salpica diariamente a disputa presidencial de 2008, já que tanto democratas como republicanos marcaram suas posições sobre o tema.

Por exemplo, ao anunciar oficialmente hoje sua candidatura presidencial, o senador republicano John McCain, grande defensor da estratégia militar de Bush, reconheceu que a Guerra do Iraque 'não foi bem' e disse que não devem ser repetidos os erros cometidos no princípio da invasão.