Lamy pede que países ricos ajudem os pobres a tirar proveito de Doha

Agência EFE

GENEBRA - O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, afirmou hoje que a conclusão da Rodada do Desenvolvimento de Doha está 'muito próxima' e pediu aos países mais ricos que ajudem os mais pobres a tirar verdadeiro proveito dela.

- Cerca de 70% das questões que deveriam ser negociadas já estão fechadas, mas a rodada só será concluída quando todos os aspectos forem decididos, disse Lamy em mensagem de vídeo dirigida aos delegados que assistiram nesta quarta-feira à abertura da reunião anual do Centro de Comércio Internacional (CCI) em Genebra.

O CCI é uma organização conjunta formada pela OMC e pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) que busca ajustar as práticas das duas entidades para promover projetos para desenvolver o comércio nos países menos desenvolvidos.

Lamy explicou que este é o objetivo da Rodada de Doha, uma negociação iniciada em 2001 através da qual os 150 países da OMC se comprometerão em reduzir a proteção de seus mercados e facilitar o comércio internacional, o que deveria beneficiar os países mais pobres, que encontram muitas dificuldades para exportar seus produtos.

Para o ex-comissário europeu do Comércio, provavelmente a rodada será concluída 'no final deste ano ou no começo de 2008, quando tiver dado um salto em aspectos como as tarifas agrícolas e outras questões que estão sendo discutidas há muito tempo'.

- Há uma grande vontade política, porque os dirigentes sabem o que poderia acontecer em caso de fracasso. Assim, necessitamos somente de negociadores com instruções claras, afirmou Lamy, que insistiu na importância de que os verdadeiros beneficiados da globalização comercial sejam os países mais pobres.

Nesse sentido, o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, lamentou que 'as ondas da globalização não estejam empurrando todos os navios por igual', porque há países que 'não podem participar dos novos fluxos comerciais gerados por elas'.

- Estes países não encontram a motivação suficiente para colocar em prática as difíceis medidas exigidas para que se incorporem ao comércio mundial, explicou Panitchpakdi, que também se dirigiu aos presentes através de videoconferência.

Para que as economias mais pobres possam se beneficiar da globalização comercial, ambos afirmaram que 'não basta o trabalho da OMC', que consiste em estabelecer normas.

- Também é necessária uma grande assistência técnica aos produtores locais, porque no final são eles que vendem, ressaltou Lamy.

Como exemplo, disse que, 'se alguém quer vender flores no exterior, precisa também de capacidade produtiva, refrigeradores, caminhões frigoríficos, estradas e saber que tarifas deve pagar em cada país', além de uma infinidade de aspectos que complicam a exportação.

Por isso, Lamy apelou aos países mais ricos para que, através do CCI, de outras organizações ou por meio de acordos bilaterais, invistam em assessoria técnica orientada ao comércio internacional entre empresas e instituições dos países mais pobres.

Sobre isso, Panitchpakdi disse que, 'com programas adequados de assistência tecnológica e normas orientadas ao comércio, as empresas privadas poderiam se adaptar às exigências do comércio internacional, desenvolver estratégias de marketing adequadas e proteger a propriedade intelectual'.

O antecessor de Lamy também afirmou ser necessário que os setores público e privado unam forças nos países em desenvolvimento para buscar um aumento da eficiência nos meios de transporte e nos procedimentos alfandegários, dois grandes obstáculos que os pequenos produtores costumam enfrentar.

Panitchpakdi instou os países não industrializados a promover projetos de 'biocomércio', já que este, ao mesmo tempo em que impulsiona a produção local, faz com que a população valorize o meio ambiente e cuide dele.

Como exemplo, citou os projetos empreendidos nesse sentido nos países andinos com a colaboração da Unctad e disse que sua intenção é promover programas semelhantes na África e Ásia.