Portugal: dirigente de partido é preso por facismo

Agência ANSA

LISBOA - Um juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou a prisão preventiva do agente de segurança privada Mario Machado, dirigente da Frente Nacional (FN) portuguesa, organização que defende o fascismo, o racismo e a xenofobia, o que é proibido pela Constituição.

De acordo com a informação divulgada por um porta-voz do Tribunal, três dos dez militares de extrema direita presos na quarta-feira foram sancionados com prisão domiciliar e esperam julgamento e outros seis terão a obrigação de se apresentarem periodicamente diante da polícia, até a realização do julgamento.

A decisão do juiz ocorre um dia antes do encontro de partidos da extrema direita européia, programado para sábado em Portugal, pelo também ultradireitista e abertamente xenófobo Partido Nacional Renovador, inspirado na Frente Nacional francesa do candidato presidencial Jean-Marie Le Pen.

Esse partido enfrentou no início de abril uma série de condenações de parte dos partidos e organizações sociais devido à colocação de um imenso cartaz no centro de Lisboa onde desejava "boa viagem" aos imigrantes para que vão embora, acompanhado com legendas como o "Nacionalismo é a solução" e "Portugal para os portugueses".

As diferenças entre a Frente Nacional e esse partido são que o primeiro está a favor da "ação física direta" contra a "mestiçagem e os negros", enquanto o segundo prefere uma via verbal.

Nesse sentido, a sustentação jurídica da operação da polícia foi o perigo da passagem à ação concreta desses grupos ultradireitistas da FN, explicaram fontes judiciais.