Paquistão e Afeganistão trocam acusações após tiroteio

Agência EFE

LAHORE - Paquistão e Afeganistão se acusaram nesta sexta-feira mutuamente de ter iniciado o tiroteio da última quinta-feira em torno da cerca recém-instalada pelos paquistaneses na fronteira para controlar a passagem de insurgentes.

A troca de tiros, que não causou mortes, aconteceu no posto fronteiriço de Angoora Adda (oeste do Paquistão). A região é uma das atingidas pelo plano paquistanês, que enfrenta a oposição afegã.

De acordo com a versão paquistanesa, as forças afegãs iniciaram os disparos contra o território do Paquistão 'sem provocação' e tentaram retirar a cerca, disse hoje o general Waheed Arshad em declarações à rede de televisão 'Geo'.

- As forças paquistanesas responderam ao fogo, e depois os afegãos se retiraram, disse o general.

Waheed acrescentou que o Paquistão informou o incidente à comissão formada por oficiais dos dois países e da Otan.

No Afeganistão, porém, o Ministério da Defesa acusou hoje o Exército paquistanês de ter penetrado na terça-feira em seu território para instalar parte da cerca. As tropas saíram antes da chegada das tropas afegãs, segundo as autoridades.

Os paquistaneses continuaram com a construção da cerca na quarta-feira à noite, aproveitando a escuridão. Na última quinta-feira à noite, as tropas afegãs se prepararam para retirar a cerca, o que, segundo disse à agência Efe o porta-voz ministerial, general Zahir Azimi, motivou um ataque do Paquistão.

A troca de tiros é a primeira desde que o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, anunciou a construção da cerca de 35 quilômetros na fronteira oeste e noroeste do país, para deter o livre movimento de insurgentes.

Com o projeto, o Paquistão pretendia resistir as acusações do Afeganistão e da Otan de estar dando abrigo aos talibãs que constantemente se infiltram e operam em solo afegão.