Militante pró-Taliban oferece abrigo a Bin Laden no Paquistão

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PAQUISTÃO - Um líder tribal pró-Taliban, que recebe apoio do Exército paquistanês na campanha para expulsar das áreas tribais os combatentes ligados à Al Qaeda, afirmou na sexta-feira que daria abrigo para Osama bin Laden.

O mulá Nazir disse que nunca tinha se encontrado com o líder da Al Qaeda, mas que estava disposto a protegê-lo na região tribal do Waziristão do Sul, perto da fronteira do Afeganistão, em nome do "povo oprimido".

- Se ele aparecer aqui e quiser viver segundo as tradições tribais, então podemos protegê-lo porque damos apoio ao povo oprimido, afirmou Nazir a jornalistas, na cidade de Wana, a principal do Waziristão do Sul.

O paradeiro do homem mais procurado do mundo, cuja morte ou captura vale uma recompensa de 25 milhões de dólares, continua a ser um mistério desde os ataques realizados pela Al Qaeda em 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Acredita-se que o líder da rede militante esteja escondido em algum lugar das áreas tribais localizadas na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão.

O fato de Bin Laden não aparecer há tempos alimentou boatos sobre a possibilidade de ele estar morto. Mas muitos integrantes da comunidade internacional de inteligência acreditam que os sites islâmicos circulariam a notícia da morte dele caso fosse verdade.

A gravação de vídeo mais recente em que o líder da Al Qaeda aparece é do final de 2004 as imagens divulgadas posteriormente seriam antigas e cerca de seis gravações de áudio supostamente feitas por Bin Laden vieram a público na primeira metade de 2006.

Depois da vitória das forças lideradas pelos EUA contra o Taliban, no Afeganistão, em 2001, militantes islâmicos receberam abrigo de tribos pashtun que vivem na região de fronteira.

Mas as relações entre esses grupos viram-se abaladas depois de os integrantes das tribos, com o apoio tácito dos militares paquistaneses, terem se voltado contra os militantes em março porque estes teriam tentado matar um líder ancião de uma das tribos.

Cerca de 300 militantes estrangeiros e até 40 combatentes de tribos, liderados pelo mulá Nazir e aliados do Exército, foram mortos em conflitos ocorridos nas últimas semanas.

Nazir, 32 anos, casado e pai de um filho e uma filha, ofereceu anistia aos estrangeiros e a seus aliados locais caso se rendam.