Irã diz preferir negociação, mas está preparado para se defender

Agência EFE

TEERÃ - O Governo do Irã afirmou nesta sexta-feira que prefere uma solução negociada para a polêmica que envolve o seu programa nuclear, mas advertiu que defenderá de modo firme o seu "direito de obter a tecnologia atômica".

- As negociações em um ambiente aceitável são o melhor meio para resolver o caso nuclear - disse Hashemi Rafsanjani, ex-presidente do Irã e atualmente chefe do Conselho de Determinação do Regime, que assessora o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

- Claro que a violência e as sanções complicarão ainda mais a situação e criarão problemas para toda a região (do Oriente Médio) e também para o mundo - declarou Rafsanjani em discurso durante a oração da sexta-feira em Teerã.

Após convidar as "grandes potências ocidentais" a escolherem o "caminho correto, que é a negociação", o líder iraniano afirmou que seu país "está disposto a provar que seu programa nuclear é pacífico". Ele também se dirigiu aos EUA:

- Intervieram militarmente em outros países menores que o Irã e não conseguiram nada. Os iranianos não renunciarão a seus direitos e os defenderão de forma firme.

Já o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que deu prosseguimento nesta sexta-feira a sua viagem por várias cidades do sul do Irã para buscar apoio popular para sua política nuclear, afirmou que "o povo iraniano defenderá, unido, seus direitos atômicos".

- Nosso povo defende a sensatez e o diálogo, mas não recuará - declarou o governante em discurso na cidade de Fairwz Abade, na província de Fars (Sul).

O diretor da Organização Iraniana da Energia Atômica (OIEA), Gholam-Hossein Aghazadeh, também afirmou que Teerã continuará instalando centrifugas na usina nuclear de Natanz (centro), já que "é um processo que vai continuar ininterruptamente". Aghazadeh, em entrevista à agência 'Irna', afirmou que "em cada visita ao Irã os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) verão importantes mudanças quanto à instalação das centrífugas em Natanz". O objetivo do Irã, disse, é "criar uma fábrica de produção de combustível nuclear".

Ele se queixou que o Ocidente "não atua para construir a confiança com Teerã e só quer que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio", algo que, afirmou, "não tem lugar na política da República Islâmica". O representante iraniano pediu que os países ocidentais, "caso queiram construir laços de confiança com o Irã", apresentem suas ofertas para participar da construção de duas usinas nucleares para a produção de eletricidade.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou na última quarta que o Irã começou a enriquecer uma quantidade limitada de urânio em Natanz, cerca de 300 quilômetros ao sul de Teerã. As afirmações dos líderes iranianos foram dadas após Teerã anunciar que o Alto Representante para a Política Externa e de Segurança Comum da UE, Javier Solana, se reunirá na próxima quarta com o principal negociador iraniano, Ali Larijani, para discutir o caso nuclear iraniano.