Irã ainda levará anos para produzir combustível para usinas

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TEERÃ - O Irã ainda precisa de alguns anos para conseguir fabricar combustível nuclear para abastecer suas usinas nucleares, disse a principal autoridade nuclear do país, em declarações publicadas na sexta-feira. Foram as mais recentes afirmações do Irã sobre os avanços em seu programa nuclear. As potências ocidentais suspeitam que o programa iraniano seja uma fachada para o desenvolvimento de uma bomba atômica, e a ONU impôs sanções ao país porque ele se recusa a parar de enriquecer urânio.

O Irã diz que só quer produzir energia elétrica para aumentar suas exportações de petróleo e gás natural. Na semana passada, o presidente Mahmoud Ahmadinejad anunciou que o Irã tinha passado a produzir combustível nuclear em 'escala industrial'. Até então, o enriquecimento era experimental e limitado. Gholamreza Aghazadeh, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, esclareceu que o país ainda não é capaz de produzir combustível nuclear em quantidades muito significativas.

- Entramos na escala industrial, mas, para atingirmos uma grandeza industrial para que possamos fornecer combustível para nossas usinas nucleares, ainda definitivamente são necessários alguns anos - afirmou ele à agência oficial iraniana, a Irna.

- As centrífugas estão constantemente sendo instaladas e a produção está crescendo - disse ele, referindo-se ao equipamento que enriquece o urânio.

O Irã disse a inspetores da ONU esta semana que mais de 1.300 das 3.000 centrífugas que devem entrar em funcionamento até o fim de maio já foram instaladas, e que o país já tinha começado a alimentá-las com o gás UF6.

Diplomatas próximos aos inspetores disseram que a operação ainda é de escala bem pequena e que visa a testar a durabilidade das centrífugas, e não a armazenar urânio enriquecido.

Três mil centrífugas em funcionamento são suficientes para refinar urânio para uso numa bomba depois de um ano, se as máquinas funcionarem por períodos longos e sem interrupção, mas até agora o Irã não demonstrou ter tal eficiência, dizem analistas ocidentais. No início da semana, Aghazadeh havia reiterado a meta de longo prazo do Irã de instalar 50 mil centrífugas em Natanz, projeto que poderia levar entre dois e quatro anos.

- Quando as 50 mil estiverem instaladas poderemos dizer que somos capazes de produzir combustível para uma ou duas usinas nucleares - disse ele na sexta-feira.