Cuba diz que EUA compraram silêncio de Posada ao libertá-lo

Agência EFE

HAVANA - O Governo de Cuba disse hoje que a libertação do anticastrista Luis Posada Carriles, acusado de terrorismo por Havana e Caracas, é uma compensação para que ele não divulgue o que sabe, e que o Governo dos Estados Unidos tem todos os elementos para voltar a prendê-lo.

"Cuba condena a desavergonhada decisão de pôr em liberdade o terrorista Luis Posada Carriles, e aponta o Governo dos EUA como o único responsável por este ato cruel e infame, que busca comprar o silêncio do terrorista sobre seus crimes a serviço da CIA", disse o Governo cubano numa declaração publicada nesta sexta-feira pela imprensa local.

"Especialmente na época em que Bush pai (presidente entre 1989 e 1993) foi seu diretor-geral (da CIA)", acrescenta o texto. Posada, um ex-agente da CIA de 79 anos, foi solto ontem mediante o pagamento de uma fiança de US$ 350.000, depois de ter sido detido em 2005 nos EUA por fraude migratória e falso testemunho.

Cuba e Venezuela acusam o anticastrista de múltiplos atos terroristas, entre eles vários atentados contra hotéis e a explosão de um avião da companhia aérea Cubana de Aviación.

"A libertação de Posada foi gestada pela Casa Branca como compensação para que não divulgue o que sabe', diz o Governo cubano. No texto, Havana destaca que "mesmo agora, após sua libertação, o Governo dos EUA tem toda a informação e os mecanismos legais para voltar a prendê-lo".

"Falta apenas vontade política para lutar seriamente contra o terrorismo e lembrar que, segundo o presidente Bush, 'se o senhor dá refúgio a um terrorista, apóia um terrorista, se alimenta um terrorista, será tão culpado como os terroristas", acrescenta a nota.