Bush vê progressos na guerra do Iraque

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EUA - O presidente dos EUA, George W. Bush, rejeitou na sexta-feira a avaliação democrata de que a guerra do Iraque está perdida e disse ver progressos, apesar de esta semana ter registrado o dia mais violento em Bagdá desde o início de uma operação de segurança na cidade, há dois meses.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, foi duramente criticado pela Casa Branca e por seus aliados por declarar na quinta-feira que 'esta guerra está perdida' e que os reforços enviados neste ano por Bush 'não estão servindo de nada'.

Falando em um seminário de assuntos mundiais em Michigan, Bush disse que a operação de segurança, que incluiu o envio de 28 mil soldados a mais para o Iraque, está 'atendendo às expectativas', e que a atual violência reflete uma já esperada reação dos insurgentes.

- Ainda há ataques horríveis no Iraque, como as bombas de quarta-feira em Bagdá, mas a direção da luta está começando a mudar - disse ele. Quase 200 pessoas morreram na quarta-feira vítima dos atentados em Bagdá, no mesmo dia em que Bush e os líderes democratas discutiam - sem chegar a um acordo - a proposta da oposição de adotar prazos para a desocupação.

Chamado de 'derrotista' pelos republicanos, Reid foi na sexta-feira à tribuna do Senado para se defender. Afirmou que 'a máquina de distorções da Casa Branca está fazendo hora extra', e que Bush e seus aliados estão atacando os que têm 'coragem de fazer perguntas duras, de dizer a verdade sobre o Iraque'.

- Quanto mais continuarmos no caminho do presidente, mais longe estaremos de encerrar esta guerra de forma responsável - declarou.

Bush disse que só no final do ano será possível avaliar com clareza a eficácia do seu plano para Bagdá, mas citou como sinais de progresso que há menos execuções extrajudiciais por esquadrões da morte sectários e que alguns xeiques da volátil província de Anbar decidiram cooperar com as forças dos EUA.

Na próxima semana, Democratas devem enviar a Bush uma lei que condiciona a liberação de verbas para a guerra à adoção de prazos para a desocupação. Um veto presidencial é quase certeza. Caso os democratas não tenham votos para derrubar o veto, devem redigir um novo projeto, com termos mais aceitáveis para Bush.

A área de Michigan visitada na sexta-feira por Bush fica próxima da cidade natal do ex-presidente Gerald Ford, morto em dezembro, que foi homenageado por seu sucessor com uma menção no discurso e com uma coroa de flores em seu túmulo.

Ford discordou de Bush sobre a decisão de invadir o Iraque, segundo jornalistas que o entrevistaram na época.