Blair rejeita Constituição européia e pede mais competitividade

Agência EFE

MADRI - O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, considera que o desafio para os líderes europeus é tornar a Europa mais competitiva e acha necessário retroceder na proposta de Tratado Constitucional, dando preferência a um marco legal que melhore as regras de funcionamento da União Européia.

Numa entrevista a correspondentes dos principais jornais europeus, publicada hoje pelo espanhol 'El País', Tony Blair defende que o Reino Unido seja 'um ator fundamental' na Europa unida.

A poucos dias de anunciar sua saída do cargo, Blair faz um balanço das mudanças nas relações entre o Reino Unido e a Europa durante seus mais de 10 anos de mandato. Para ele, 'o ceticismo continua, mas os dias de isolamento acabaram'.

Perguntado sobre quem mudou suas posições, o Reino Unido ou Europa, o primeiro-ministro do Reino Unido afirma que 'os dois mudaram'.

- Houve uma mudança de ambiente na Europa, em parte provocada pela ampliação do bloco. Mas também porque a Europa em si mesma quer se concentrar mais em políticas práticas, em setores como economia, energia, meio ambiente, crime e emigração.

- Acho que hoje na Europa há mais sentido prático. Não só por parte dos novos membros, mas também pelo Reino Unido, opinou.

Sobre as mudanças no Tratado Constitucional europeu que estaria disposto a aceitar no Reino Unido, o membro do bloco mais avesso à proposta, Blair disse que não deseja 'negociar em público'.

- Mas essencialmente temos que retroceder. Não devemos fazer um tratado constitucional, e sim um acordo que melhore as regras da Europa, aconselhou, lembrando a rejeição de franceses e holandeses em seus referendos.

O primeiro-ministro do Reino Unido se mostrou convencido de que "o mais certo é fechar um acordo sobre os elementos-chave do Tratado em junho'.

- Temos que abordar depois um processo de planejamento do trabalho com mais detalhes e depois o processo de ratificação, disse.

Para ele, o desafio da nova geração de líderes europeus é 'tornar a Europa mais competitiva, aumentar a prosperidade e fazer que a Europa e seus valores tenham peso no mundo'.