Argentina e Uruguai retomam negociação sobre fábricas na fronteira

Agência JB

RIO - Uruguai e Argentina assinaram nesta sexta-feira, em Madri, um acordo que reabre as negociações sobre a construção de fábricas de papel na fronteira, às margens do rio Uruguai. Intermediado pela Coroa Espanhola, o encontro terá nova sessão em maio, de acordo com a agência de notícias Télam.

O governo argentino acusa o país vizinho de violar acordos que regulam a exploração do rio e danificar o meio ambiente, devido à atuação das indústrias Ence (da Espanha) e Botnia (da Finlândia). O Uruguai alega que os projetos seguem padrões internacionais e vão proporcionar empregos e investimentos na região: US$ 1,7 bilhão. O caso foi parar na Corte Internacional de Haia e, agora, em mesas de negociação espanholas.

O acordo estipula quatro pontos de discussão: reposicionamento da planta de Botnia, circulação pelas rotas e pontes que unem os dois países algumas foram interrompidas por manifestantes , aplicação do Estatuto do Rio Uruguai, proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.

O estatuto, firmado em 1975 para permitir um "ótimo e racional aproveitamento do rio , como estipula o artigo 1º, é usado nesta disputa pelo Estado argentino, que invoca os seguintes artigos: 7 a 12 (regime de comunicações e inspeções frente a qualquer obra que possa afetar a qualidade das águas); 41 (compromisso de prevenir a contaminação das águas); 42 (responsabilidade por danos de um país perante o outro por contaminação que as atividades causem); 60 (jurisdição da Corte Internacional de Haia para resolver qualquer conflito). A informação está na enciclopédia virtual Wikipedia.

O chanceler da Argentina, Jorge Taiana, qualificou como muito positivo o acordo e disse que os dois países vão caminhar passo a passo rumo à solução da controvérsia. Ele chamou de silenciosa mas muito frutífera a mediação do facilitador espanhol, Juan Antonio Yañez Barnuevo.

Barnuevo afirmou: O importante é que as partes [Argentina e Uruguai] reencontraram o caminho do diálogo . Não se deve dissimular as dificuldades que ainda persistem, mas também é preciso dizer que me sinto muito estimulado pela atitude construtiva das partes .