Argentina e Uruguai retomam diálogo, mas com poucos avanços

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BUENOS AIRES - Argentina e Uruguai retomaram nesta semana em Madri a busca por uma saída no conflito ambiental entre ambos os países, devido à construção de uma fábrica de papel. Mas, após um ano de silêncio, os dois governos mantiveram suas mesmas posições de antes da reunião.

Funcionários de primeiro escalão viajaram à Europa convocados pelo mediador, o rei Juan Carlos, num sinal do delicado momento nas relações bilaterais.

Todos se mostraram satisfeitos após o encontro, mas a magnitude da disputa obriga à cautela, disse Juan Yañez-Barnuevo, negociador designado pela coroa espanhola.

- Não se pode subestimar as dificuldades que ainda subsistem-, disse a agência de notícias estatal argentina, a Télam.

Ao final de três dias de negociações, Argentina e Uruguai divulgaram na sexta-feira nota em que fixam uma agenda futura, com o primeiro encontro a ser convocado nos próximos 30 dias.

- Demos o primeiro passo, que é o restabelecimento do diálogo, fizemos um amplo intercâmbio de opiniões, estabelecemos os eixos sobre os quais deveremos seguir discutindo, e também se aprovou uma certa metodologia-, disse Jorge Taiana, chanceler argentino, a uma rádio.

Entre os temas a abordar estão a localização da fábrica da finlandesa Botnia, já praticamente concluída, a margem uruguaia do rio que dá nome ao país, os bloqueios promovidos por manifestantes argentinos nas pontes binacionais e a administração e proteção dessas águas.

A Argentina alega que a usina vai poluir o rio, e o Uruguai se queixa dos prejuízos que os protestos causam à sua economia. Ambos os países recorreram à Corte Internacional de Haia.