Secretário de Justiça dos EUA justifica demissão de procuradores

Agência JB

WASHINGTON - O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Alberto Gonzales, que está sob forte pressão política por causa da demissão de oito dos 93 procuradores da República no ano passado, disse no Senado na quinta-feira que não aconteceu "nada de impróprio" no caso, mas reconheceu que o processo de demissão teve falhas.

A acusação é de que as demissões teriam tido motivação política.

- Minha decisão de pedir as demissões desses procuradores justifica-se e deve ser mantida - disse Gonzales à Comissão Judiciária do Senado.

Gonzales pediu desculpas aos procuradores e a suas famílias pelo "espetáculo público" em que o caso se transformou.

- Quero deixar bem claro: embora o processo que levou às demissões tenha tido falhas, acredito firmemente que nada de impróprio ocorreu - explica.

O presidente George W. Bush já deu várias manifestações públicas de apoio a Gonzales na crise, mas disse que precisa responder aos questionamentos sobre os motivos das demissões.

Na audiência, cartazes pediam a renúncia do secretário. Congressistas democratas e republicanos também pediram sua demissão.

Inicialmente, o Departamento de Justiça disse que o principal motivo das demissões era o desempenho dos procuradores, mas depois alegou que elas envolveram diferenças de opinião.

Documentos recentemente divulgados mostraram que a impressão de lealdade a Bush que os procuradores passavam também influenciou em sua permanência ou não no posto. Sete das oito demissões aconteceram no mesmo dia, 7 de dezembro.

Há três semanas, o ex-chefe de gabinete de Gonzales, Kyle Sampson, havia dito à mesma comissão que o secretário estava mais profundamente envolvido nas demissões que o que se imaginava. Depois disso, Gonzales admitiu que participou das discussões sobre as demissões, mas disse que seu papel limitou-se a assinar as medidas.

- Eu devia ter sido mais preciso ao discutir essa questão - disse Gonzales à comissão.

- Entendo por que algumas de minhas declarações geraram confusão, e depois tentei esclarecer minhas palavras - afirmou.

O plano de demitir os procuradores nasceu na Casa Branca pouco depois da reeleição de Bush, em novembro de 2004.

Um dos procuradores demitidos foi substituído por um ex-assessor de Karl Rove, o principal conselheiro político do presidente.