Rússia constrói usina nuclear flutuante para exportação

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MOSCOU - A Rússia anunciou o início da construção da primeira usina nuclear flutuante do mundo, um projeto que ativistas antinucleares dizem ser o mais perigoso no setor em uma década.

A Rússia espera exportar as usinas flutuantes para uso em lugares tão díspares quanto os oceanos Índico e Ártico. A primeira deve estar pronta em 2010, e há planos para outras seis.

As autoridades apontam essas usinas como uma forma segura de gerar eletricidade em lugares remotos ou em economias em expansão na Ásia, na África e na América Latina, mas sem o risco de proliferação da tecnologia de armas nucleares.

O vice-primeiro-ministro Sergei Ivanov comandou nesta semana a cerimônia de início das obras numa fábrica submarina em local secreto no mar Branco.

- Muitos países começam a nos perguntar quando poderão comprar essas usinas - disse Ivanov segundo a Rosenergoatom, a agência que controla as usinas nucleares russas e banca a construção das flutuantes.

Ivan Blokov, diretor do Greenpeace na Rússia, comparou o projeto a 'bombas atômicas flutuantes.' 'Esse é o projeto mais perigoso lançado pelo setor atômico em todo o mundo na última década', afirmou.

Em 2006, o presidente Vladimir Putin aprovou a maior reformulação no setor nuclear russo desde o acidente na usina de Chernobyl (na Ucrânia, então União Soviética), em 1986, quando o interesse do Kremlin pela energia atômica diminuiu sensivelmente.

Agora, porém, os dirigentes russos vêem no desenvolvimento do setor nuclear uma forma de ampliar a influência do país no mundo.

No domingo, Ivanov apresentou a primeira nova geração de submarinos nucleares russos desde o fim da União Soviética. O equipamento será usado pela Frota Norte, com sede em Severomorsk, 1.500 quilômetros ao norte de Moscou.

As usinas flutuantes custarão cerca de 350 milhões de dólares e terão dois reatores funcionando com urânio enriquecido a um máximo de 20 por cento.

A capacidade total será de 70 megawatts, e as usinas também vão dessalinizar água do mar.

As autoridades nucleares dizem que os reatores, usados por quebra-gelos atômicos, são robustos o suficiente para resistir a terremotos, e lembram que o reator nuclear que movimentava o submarino Kursk permaneceu intacto apesar da explosão que o afundou, em agosto de 2000, provocando a morte de todos os 118 marinheiros a bordo.

- O reator (do Kursk) foi submetido a um incrível teste, mas depois os especialistas disseram que ele poderia ter sido imediatamente religado - disse o chefe do programa nuclear russo, Sergei Kiriyenko, à agência de notícias Itar-Tass.

A primeira usina será batizada de 'Acadêmico Lomonosov,' em homenagem a Mikhail Lomonosov, cientista russo do século 18, aclamado mundialmente por seu trabalho nos campos da química e da física e fundador da Universidade Estatal de Moscou.

Entre os compradores podem estar a estatal russa de Gás, a Gazprom, a região setentrional de Chukotka e países como Namíbia e Indonésia, segundo fontes do setor.

O maior físico russo, Yevgeny Velikhov, previu que haverá grande demanda.

- Será como a encomenda de um avião. Quer uma usina nuclear? Basta encomendar.