Coréias debatem se arroz vem antes de reator nuclear

REUTERS

SEUL - As negociações entre as duas Coréias entraram em impasse nesta quinta-feira, antes mesmo de começarem, com os lados discutindo se a ajuda em arroz deve vir antes do fechamento de um reator nuclear.

A Coréia do Norte disse que o encontro de alto nível em Pyongyang não poderia começar a não ser que o vizinho mais rico prometesse mandar muita ajuda em arroz. Depois, o país cedeu e as negociações começara com oito horas de atraso.

As declarações de abertura do enviado sul coreano -- um texto preparado que já havia sido divulgado -- pediram para a Pyongyang cumprir sua promessa de desativar o reator, fonte do plutônio que pode ser usado em seu programa de armas nucleares.

A Coréia do Sul pretendia anunciar a retomada de ajuda em alimentos durante a reunião, mas autoridades disseram que Seul está reconsiderando o tema porque o Norte não cumpriu o prazo final, no último sábado, para começar o processo de fechamento do reator.

- Somente 20 minutos antes da sessão, o Norte pediu para ver as notas do discurso, um comunicado de imprensa conjunto a uma proposta de acordo (sobre o arroz), disse a mídia em Pyongyang, segundo a agência de notícias Yonhap, da Coréia do Sul.

A Coréia do Sul considerou o pedido um 'comportamento rude' e recusou-se a aceitar, segundo fontes citadas pela agência. O Norte respondeu adiando o primeiro encontro formal.

Seul suspendeu os envios regulares de ajuda à Coréia do Norte, que costumam ser de 500 mil toneladas por ano --depois que Pyongyang desafiou os avisos internacionais e testou mísseis em julho.

Mesmo quando tem uma boa colheita, a Coréia do Norte sofre falta de 1 milhão de toneladas de alimentos, dizem especialistas.

O Norte abandonou o último encontro econômicos depois de alguns dias de trabalho porque o Sul suspendeu a ajuda, em resposta ao teste com mísseis.

A Coréia do Norte disse que não começará a desativar seu reator da era soviética, nem convidar os inspetores de ONU a voltarem ao local, até que os cerca de 25 milhões de dólares que estão congelados em um banco de Macau, e suspeitos de uso em atividades ilícitas, sejam liberados.

Washington afirma que o dinheiro está disponível e que a Coréia do Norte deve cumprir o acordo de 13 de fevereiro feito pelas duas Coréias, pelo Japão, pela Rússia e pelos EUA e comece a desativar o reator, em troca de ajuda em energia.

- A rápida implementação do acordo de 13 de fevereiro é um caminho rápido para atrair forte apoio internacional à cooperação entre as Coréias, disse o vice-ministro das Finanças, Chin Dong-soo, que lidera a delegação sul-coreana, de acordo com o texto distribuído antes do encontro.

A China pediu para os dois lados acelerarem o processo.

- Esperamos que todos os lados adotem uma atitude de mais urgência para resolver os problemas o mais rápido possível, disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Liu Jianchado.