Compromisso com Iraque não é infinito, diz secretário dos EUA

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BAGDÁ - O secretário norte-americano de Defesa, Robert Gates, pediu na quinta-feira aos líderes políticos iraquianos que acelerem seu processo de reconciliação, e alertou que o comprometimento dos EUA em termos de tropas e apoio não é infinito.

Gates faz sua primeira visita a Bagdá desde o início da atual operação de segurança realizada por forças dos EUA e do Iraque, e um dia depois de uma série de carros-bomba matar quase 200 pessoas na cidade.

Ele afirmou que Washington espera um progresso mais rápido na aprovação de leis consideradas essenciais para conter a violência entre a maioria xiita e a minoria sunita, outrora dominante no país.

- Os iraquianos têm de saber que este não é um comprometimento infinito - disse Gates, referindo-se à presença militar e ao grau de apoio dos EUA ao governo local.

O secretário, que iria se reunir com o primeiro-ministro Nuri Al Maliki, afirmou que iria pressionar os líderes locais a concluir as leis relativas ao compartilhamento das riquezas petrolíferas e à permissão para que antigos membros do Partido Baath, que apoiava o regime de Saddam Hussein, voltem à vida pública.

- É muito importante que eles dirijam todos os esforços para aprontar essa legislação assim que possível - disse Gates a jornalistas antes de embarcar de Tel Aviv para Bagdá.

Os atentados de quarta-feira em bairros xiitas da capital foram atribuídos a militantes sunitas da Al Qaeda. As duas comunidades vivem sob tensão desde o atentado de fevereiro de 2006 contra uma mesquita xiita de Samarra. Desde então, dezenas de milhares de pessoas morreram na violência sectária.

Os EUA, que têm 146 mil soldados no Iraque, pressionam o governo de Maliki, dominado pelos xiitas, a tomar não só medidas militares, mas também a adotar políticas que contentem os sunitas, que são a maioria entre os insurgentes.

Gates também visitou a turbulenta cidade de Falluja, reduto dos insurgentes a oeste de Bagdá, onde vistoriou as tropas.

Em discurso na quinta-feira para marcar o 50o aniversário do seu partido islâmico, o Dawa, Maliki descreveu a violência no país como 'uma batalha aberta' entre as forças do governo e os militantes da Al Qaeda e seguidores de Saddam.

Horas antes da chegada de Gates, um carro-bomba guiado por um suicida matou até dez pessoas ao se lançar contra um caminhão-tanque de combustível em Bagdá, segundo a polícia. Outra fonte policial disse haver apenas três mortos.

Dois soldados britânicos foram mortos por uma bomba deixada à beira de uma estrada na província de Maysan (sul), um dia depois de o controle da segurança na região ter sido transferido ao Iraque, segundo autoridades britânicas. Desde o início da ocupação, em 2003, a Grã-Bretanha já teve 144 soldados mortos no Iraque.