Atividade nuclear anunciada pelo Irã é descrita como teste

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VIENA - As atividades de enriquecimento de urânio realizadas pelo Irã dentro de um bunker subterrâneo, em desobediência à Organização das Nações Unidas (ONU), são uma operação de teste que não produzirá quantidades significativas de combustível, afirmaram diplomatas na quinta-feira.

Segundo esses diplomatas, o país continua bastante aquém da capacidade de refinar urânio em 'escala industrial', capacidade essa anunciada pelos iranianos em 9 de abril.

O Irã vem aumentando suas apostas no impasse com o Conselho de Segurança da ONU, que exigiu do país a suspensão do programa de enriquecimento de urânio devido ao temor de que o governo iraniano esteja buscando fabricar bombas nucleares.

O país islâmico, quarto maior exportador de petróleo do mundo, diz desejar produzir o combustível para gerar energia elétrica e, assim, exportar uma fatia ainda maior de suas reservas de gás e petróleo.

Nas últimas semanas, o Irã dobrou o número de centrífugas em operação na usina de Natanz. Mas não provou que consegue deixá-las em funcionamento de forma ininterrupta, durante longos períodos de tempo, algo fundamental a fim de enriquecer urânio suficiente para fabricar eletricidade ou para montar uma ogiva nuclear.

Uma nota do inspetor-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o país começou a alimentar as centrífugas instaladas no bunker de Natanz com o gás de urânio UF6. A nota foi obtida pela Reuters.

O Irã, ignorando as sanções impostas pela ONU sobre o país, colocou em funcionamento mais de 1.300 centrífugas como parte dos esforços para formar a base de um processo de enriquecimento de urânio 'em escala industrial' que envolveria mais de 50 mil máquinas do tipo, afirmou a nota.

Mas diplomatas familiarizados com o cenário encontrado pela IAEA em Natanz caracterizaram a atividade realizada ali como um teste.

- A atual alimentação das centrífugas com urânio tem sido realizada em um nível bastante baixo, apenas para preparar as centrífugas, disse um diplomata próximo da agência.

Outro diplomata que trabalha na AIEA afirmou:

- Não se trata de uma atividade de produção (de urânio enriquecido). Compreendemos que se trata apenas de testes para ver se as centrífugas funcionarão apropriadamente.

Respondendo ao relatório da AIEA, os EUA advertiram na quarta-feira que o Irã poderia sofrer novas sanções do governo norte-americano se continuasse a desafiar a ONU.

O Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional (Isis), um grupo de Washington que acompanha de perto a situação iraniana, observou que os avanços feitos pelo Irã em seu programa nuclear não eram ainda conclusivos.

- A quantidade de UF6 colocada (nas centrífugas) dessa vez é pequena e as cascatas estão funcionando sob pouca pressão, indicando que o Irã está no estágio inicial do processo de enriquecimento nas cascatas, disse o Isis.

Os iranianos pretendem ter 3.000 centrífugas funcionando em Natanz até o final de maio.

Caso essas máquinas trabalhem direito, conseguiriam, dentro de um ano, produzir material suficiente para a construção de uma bomba.