Acordo de associação entre UE e Mercosul depende da Rodada de Doha

Agência EFE

SANTO DOMINGO - Apesar da vontade política de alcançar um acordo de associação, a União Européia (UE) constatou nesta quinta-feira, em Santo Domingo, que os países do Mercosul não estão prontos para avançar nesta direção, até que a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) seja concluída.

- Somos conscientes de que não existe um vínculo entre Doha e nossas negociações com a UE, mas é preciso esperar para termos uma visão mais clara e construtiva, e então terminar as negociações - disse, em entrevista coletiva, o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, que ocupa a Presidência rotativa do Mercosul.

A agricultura é um dos pontos mais importantes para os países do Mercosul nas negociações relacionadas ao acesso ao mercado europeu, mas o sistema de subsídios de Bruxelas distorce a concorrência.

A negociação dos subsídios mantidos pela UE e pelos Estados Unidos é um dos temas mais delicados nas negociações da Rodada de Doha da OMC, que nas próximas semanas passarão por um momento importante, informaram fontes européias.

O ministro de Assuntos Exteriores alemão, Frank Walter Steinmeier, presidente rotativo do Conselho de Ministros da UE, demonstrou expectativa de que 'a negociação entre a UE e o Mercosul seja concluída no segundo semestre deste ano, caso os países envolvidos transmitam uma mensagem clara neste sentido'.

Os países europeus aproveitaram a reunião de hoje, que antecede a sessão ministerial de amanhã, entre a UE e o Grupo do Rio, para falar aos sul-americanos sobre a necessidade de se chegar a um processo de integração econômica e política.

O Alto Representante para a Política Externa da União Européia, Javier Solana, foi categórico, ao ressaltar que os países latino-americanos devem se integrar, da maneira como fez a Europa.

Solana se mostrou satisfeito ao falar sobre essa vontade de "integração regional'.

- Haverá uma nova estrutura que permitirá esse processo, o que será essencial para o desenvolvimento da economia e do poder de concorrência em um mundo globalizado - afirmou.

A comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, anunciou que o bloco deseja iniciar as negociações com a América Central, para chegar a um acordo de associação.

- A decisão depende do avanço dos países centro-americanos nos assuntos aduaneiros - afirmou Ferrero-Waldner.

A secretária de Estado espanhola para região ibero-americana, Trinidad Jiménez, propôs que as negociações para um acordo de associação entre a União Européia (UE) e o Mercosul não sejam condicionadas à conclusão da Rodada de Doha.

- É necessário ter vontade política firme para chegar a esse acordo de associação. Não há por que esperar o final da Rodada de Doha - disse Trinidad Jiménez.

Segundo ele, a negociação das questões agrícolas na OMC é importante, mas o acordo de associação entre a UE e o Mercosul também é, já que 'daria maior visibilidade à UE na América Latina' e aumentaria o diálogo político.

Ao fim da reunião ministerial, a secretária disse a um grupo de jornalistas não acreditar que 'haja uma maior identidade de interesses, de valores e de princípios entre dois blocos do que a que existe entre a União Européia e o Mercosul'.

Trinidad Jiménez destacou que as possíveis diferenças ideológicas entre alguns países latino-americanos não são um obstáculo para 'o avanço da integração'.

Ele afirmou que uma 'possível fratura' no avanço da integração na América Latina estaria mais condicionada a fatores como os interesses, os acordos comerciais com os Estados Unidos, a distância geográfica e os diferentes graus de desenvolvimento.

Lezcano explicou que os processos de adesão da Venezuela e da Bolívia ao bloco continuam avançando. De acordo com Lezcano, falta apenas a aprovação parlamentar do Brasil e do Paraguai para a integração venezuelana.

Ramírez destacou também a importância da entrada da Bolívia, "para dar continuidade à integração comunitária', e afirmou que o Governo de La Paz fará isso 'sem perder os vínculos com a Comunidade Andina de Nações (CAN)'.