Polícia procura motivos de sul-coreano para massacre

REUTERS

BLACKSBURG - A polícia está analisando os textos escritos pelo estudante que massacrou 32 pessoas na universidade Virginia Tech e procurando mais pistas sobre os motivos que provocaram o pior ataque deste tipo na história moderna dos Estados Unidos.

Os depoimentos de estudantes e professores estão formando um retrato deprimente de Cho Seung-Hui, sul-coreando de 23 anos, e de textos que escreveu para o curso de inglês onde os personagens são desiludidos e violentos.

- Senti que era um tipo de pessoa muito solitária e isolada o tempo todo - disse Lucinda Roy, professora de inglês de Cho, à CNN na terça-feira. 'Ele sempre estava de óculos escuros, mesmo dentro da sala, e de boné.'

A polícia está examinando os textos em busca de pistas sobre o que levou Cho a agir no campus nesta segunda-feira.

Segundo o jornal The Washington Post e outros órgãos da mídia, fontes da polícia disseram que Cho deixou um bilhete atacando o que chamou de estudantes ricos e mimados. A polícia disse que não há uma carta de suicídio.

Cho, que imigrou para os EUA há 15 anos e cresceu no subúrbio de Washington, matou-se nesta segunda-feira depois de disparar em salas de aula de um prédio onde ele aparentemente acorrentou as portas para evitar fugas, antes de matar 30 pessoas.

Segundo o Post, fontes da polícia disseram que ele tinha as palavras 'Ismael Ax' escritas em vermelho em um de seus braços. O significado não ficou claro.

Cho usou dois revólveres, que a polícia confirmou terem sido comprados legalmente, e parou apenas para recarregar. A polícia não afirmou que ele foi responsável também pelas mortes de outras duas pessoas, duas horas antes, em um alojamento, mas disse que os testes mostram que a mesma arma foi usada nos dois casos.

INVESTIGAÇÃO

Muitos estudantes estão furiosos porque a universidade não fechou o campus depois das primeiras mortes. O governo do Estado da Virgínia, Tim Kaine, está trabalhando na montagem de uma equipe independente para analisar a resposta da administração.

Vizinhos, colegas de classe e professores descreveram Cho como uma pessoa fechada. Dois alunos que disseram terem sido companheiros de quarto de Cho afirmaram que ele importunou diversas estudantes e que uma vez afirmou que queria se matar.

O massacre reativou o debate sobre a lei de controle de armas nos EUA, que são as mais lenientes no mundo ocidental. Mas é improvável que o caso leve ao endurecimento da lei, ou tenha impacto na corrida presidencial de 2008, porque a maioria dos principais candidatos já é a favor do controle de armas e não deverá explorar o tema.

Segundo a ABC News, uma as armas, uma Glock 9mm, e a munição foram compradas em 13 de março por 571 dólares em uma loja a cerca de 50 quilômetros do campus.

Em entrevista à NBC nesta terça-feira, o presidente George W. Bush recusou-se a responder perguntas sobre o controle de armas.

- Agora não é o momento - disse. 'Estou mais interessado em ajudar a curar as pessoas agora. E é por isso que estamos aqui.'

A universidade, que tem 25.000 alunos em tempo integral, realizou serviços em memória das vítimas e uma vigília nesta terça-feira.