Depois de massacre, Virginia Tech tenta voltar ao normal

Agência EFE

BLACKSBURG - A administração da universidade Virginia Tech voltou a trabalhar nesta quarta-feira, após o maior massacre em uma instituição de ensino perpetrado por um indivíduo na história dos Estados Unidos, com um resultado de 32 mortos, além do assassino, Cho Seung-Hui, que se suicidou logo depois dos disparos.

Para professores e alunos, porém, será mais difícil se recuperar da tragédia. As aulas permanecem suspensas até segunda-feira.

Os alunos se movimentam em pequenos grupos, falam em voz baixa e colocam flores em um altar improvisado em frente ao edifício Burruss, contíguo ao Norris Hall, onde, na segunda-feira, morreu a maior parte das 32 vítimas, além do próprio assassino.

Ao meio-dia, alguns estudantes se reuniram em um círculo, para rezar de mãos dadas.

Os escritórios, os laboratórios e os departamentos reabriram hoje, mas para muitos empregados e alunos, o mais importante foi reencontrar seus colegas após a tragédia.

- Falamos, mais do que trabalhamos - disse Francisco Müller, um brasileiro de 27 anos, que faz doutorado em engenharia elétrica, e estava em um edifício atrás do Norris Hall quando ocorreu o tiroteio.

As autoridades recomendaram aos alunos que não fiquem sozinhos, que conversem sobre a tragédia uns com outros e que se aproximem de algum companheiro que vejam que está sofrendo.

- É preciso voltar à rotina para seguir em frente - afirmou Kwasi Atta, um estudante de ciências econômicas, de 21 anos.

- Nunca, nunca vamos esquecer isso. Mas precisamos superar de alguma forma - disse o saudita Naif Albelwi, de 25 anos, que cursa administração de empresas.

No entanto, alguns jovens reconhecem que esse processo não vai ser fácil.

- Vai ser mais difícil ficar sentado em uma sala de aula e pensar que uma pessoa pode entrar e não sabemos o que pode fazer. Por um tempo, acho que vou ficar paranóica - disse a etíope Teynet Biable, de 22 anos, estudante de bioquímica.

- As coisas nunca vão ser normais de novo. Ninguém dirá 'universidade Virginia Tech sem pensar nisso, como ninguém diz 'Columbine' sem pensar no que ocorreu lá - acrescentou John Krallman, que trabalha no Departamento de Informática da universidade.

Krallman se referiu ao assassinato de 12 alunos e um professor, em 1999, no instituto de ensino médio do Colorado. O ataque foi perpetrado por dois estudantes, que também se suicidaram.

O ataque de Columbine havia sido o maior massacre das últimas décadas em instituições de ensino dos EUA, sendo superado na história do país somente pelas 15 pessoas mortas, em 1966, por um estudante que se postou, com uma espingarda, em uma torre da Universidade do Texas, em Austin, de onde disparou a esmo.

O campus da universidade Virginia Tech voltou a experimentar momentos de tensão na manhã de hoje, quando policiais armados entraram no Burruss Hall, onde fica a reitoria.

Os agentes respondiam a uma ameaça dirigida contra o reitor, Charles Steger, que não se concretizou, segundo informou, em entrevista coletiva, Wendell Flinchum, o chefe da Polícia da universidade.

Scott Hill, porta-voz do Montgomery Regional Hospital, disse aos jornalistas que o estado de saúde dos oito estudantes internados pelos ferimentos sofridos no tiroteio 'está evoluindo muito bem'.

Entretanto, cinco deles continuam na UTI, apesar de estáveis. No total, 13 alunos permanecem hospitalizados, cinco deles, em outras duas instituições.