Bush: objetivo da negociação com o Congresso é financiamento da guerra

Agência EFE

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, assegurou nesta quarta-feira que escutará as opiniões da oposição sobre o rumo da Guerra do Iraque, mas insistiu em que não cederá em conseguir a aprovação incondicional dos fundos necessários para os soldados.

Bush se reuniu hoje com líderes democratas e republicanos de ambas as câmaras do Congresso para tratar sobre a disputa que o Congresso e a Casa Branca mantêm sobre os fundos, que a maioria democrata condiciona a um calendário para a saída das tropas americanas do Iraque.

- As pessoas têm opiniões firmes e espero escutá-las - disse Bush no começo da reunião, embora tenha assegurado que 'o objetivo é analisar a melhor forma de conseguir os fundos de que as tropas necessitam para realizar o trabalho que pedi a elas'.

A reunião, que inclui os principais líderes democratas do Congresso - a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e o líder da maioria no Senado, Harry Reid - acontece três meses depois de o líder americano, convencido de que a opção militar é a melhor para solucionar o conflito no Iraque, ter anunciado o envio adicional de 20 mil soldados.

Ao término do encontro de uma hora, tanto Pelosi como Reid insistiram em que Bush deve assinar a medida já aprovada pelo Congresso que, além de financiar a guerra, exige mais responsabilidade do Governo iraquiano.

- Viemos com um espírito de esperança... o presidente e o Congresso têm que trabalhar juntos para colocar um fim nesta guerra - disse Pelosi, se referindo à estagnação nas negociações com a Casa Branca sobre o rumo da guerra.

O Senado deu o sinal verde para um projeto de lei que aprova os fundos para as operações militares no Iraque e Afeganistão, embora preveja que a saída das tropas americanas do país árabe comece em 120 dias e seja concluída antes de 1º de abril do próximo ano.

A Câmara de Representantes aprovou uma medida parecida, prevendo uma retirada do Iraque completa até 1º de setembro de 2008.

Bush ameaçou vetar qualquer medida que imponha a ele um calendário de retirada das tropas.

Segundo a presidente da Câmara, a medida aprovada pelo Legislativo envolve uma mudança na missão destinada ao Iraque, de combate para capacitação das forças de segurança no país.

Reid declarou que 'a guerra começou com falsos pretextos e foi o pior erro de política externa na história de nosso país'.

Está previsto para a próxima semana, possivelmente na terça-feira, o começo do processo de harmonização de ambos os projetos de lei para conseguir um só texto final, que deve ser votado pelo Congresso e enviado ao gabinete do presidente.

Mas antes de chegar a esse ponto, os democratas devem resolver suas diferenças sobre o rumo da guerra - alguns se opõem a calendários para a retirada militar - e, por enquanto, não têm os votos para superar um possível veto presidencial, segundo observadores.

No entanto, se o veto acontecer, o senador democrata Carl Levin, presidente do comitê das Forças Armadas dessa câmara, deixou aberta a possibilidade de oferecer uma opção mais 'flexível' que subordine a assistência militar ao progresso político que o Governo de Bagdá conseguir.

Horas antes do encontro na Casa Branca, um atentado com carro-bomba em um mercado xiita de Bagdá causou a morte de pelo menos 82 pessoas.

O ataque foi um de quatro registrados na capital iraquiana que, ao todo, deixaram pelo menos 146 mortos, segundo as autoridades.

Estes atentados dão sustentação à opinião de grupos como a 'Rede Nacional de Segurança' (NSN), que exigem o fim do conflito no Iraque e que o Governo iraquiano assuma sua responsabilidade para melhorar as condições em seu território nacional.

O NSN emitiu um comunicado no qual destaca que, desde o dia 10 de janeiro, o número de ataques mortais contra as tropas dos EUA aumentou 33% 'e o envio de mais tropas não assegura o êxito' militar no país.