Atirador da Virgínia enviou fotos, vídeos e textos para 'NBC'

Agência EFE

BLACKSBURG - Cho Seung-Hui, que matou 32 estudantes da universidade de Virginia Tech, enviou um pacote com fotos, vídeos e textos à rede de televisão 'NBC', revelou nesta quarta-feira a Polícia.

"Pode ser um componente novo e essencial para a investigação', disse Steven Flaherty, superintendente da Polícia estadual da Virgínia.

A rede disse que Cho enviou pelo correio o pacote entre o primeiro tiroteio e o segundo, e que o material chegou hoje a sua sede em Nova York.

Em um vídeo que estava no pacote e divulgado parcialmente pela cadeia, o estudante de Filologia Inglesa assume o massacre e assegura que 'a decisão foi de vocês'.

- Vocês tiveram cem bilhões de oportunidades e maneiras de evitar o que aconteceu hoje, mas decidiram verter meu sangue. Encurralaram-me em uma esquina e me deixaram só uma opção. A decisão foi de vocês. Agora têm sangue em suas mãos que nunca poderão lavar - disse Cho, mostrando um sorriso selvagem no rosto.

Segundo a 'NBC', o pacote continha um texto de 1.800 palavras, no qual o estudante arremete contra o cristianismo de maneira incoerente.

Além disso, havia 29 fotografias, onze das quais mostram Cho mostrando suas pistolas para a câmara, vestido com uma camiseta e um boné de beisebol pretos e um colete de camuflagem bege. Em outras, ele pode ser visto armado com um martelo, sorrindo ou dentro de um veículo.

Cho enviou o pacote por via expressa, para que chegasse no dia seguinte, mas no endereço ele colocou um código postal errado, por isso que a 'NBC' só o recebeu hoje.

Um carteiro alertou a cadeia ao ver que o remetente procedia de Blacksburg, a localidade da Virgínia onde fica a universidade, e que como remetente aparecia um nome similar a 'Ismail Ax', um rabisco feito com tinta vermelha em um dos braços de Cho após seu suicídio.

Segunda-feira, Cho matou duas pessoas pouco depois das sete da manhã em West Ambler Johnston Hall, uma residência estudantil próxima à sua. Cerca de duas horas depois abriu fogo em Norris Hall, um edifício de salas de aula, onde matou 30 pessoas antes de se suicidar.

A Polícia havia dito anteriormente que não sabia o que Cho fez entre um ataque e outro.

A cadeia não revelou o conteúdo das mensagens e das imagens, que qualificou como 'perturbadoras'.

A 'NBC' afirmou em um comunicado que entregou o material "imediatamente' para a Polícia e disse que coopera totalmente com as autoridades.

Nesta quarta-feira foi divulgado que dois estudantes haviam se queixado de ataques de Cho no final de 2005 e que vários professores alertaram para o caráter violento de seus textos e para sua conduta excêntrica.

Além disso, um 'conhecido' do sul-coreano afirmou para a segurança da universidade que o aluno tinha 'tendências suicidas'.

Isto levou Cho a ser levado para o Centro Médico St. Albans, em Radford (Virginia), onde foi avaliado por psicólogos.

Um tribunal estadual declarou Cho como 'doente mental' e um "perigo iminente para outros'. Então ele foi enviado para um hospital psiquiátrico, onde permaneceu por um período de tempo não divulgado.

No entanto, após este incidente, a Polícia não teve mais contatos com Cho.