Yushchenko se compromete a resolver crise ucraniana com negociação

Agência EFE

BRUXELAS - O presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, se comprometeu nesta terça-feira com a União Européia (UE) a resolver pela via da negociação a crise parlamentar em seu país, que atribuiu às tentativas de 'usurpação do poder' por parte de seu rival político, o primeiro-ministro Viktor Yanukovich.

- Estamos determinados a buscar uma solução democrática, e nunca falamos em fazer uso da força - declarou Yushchenko, em entrevista coletiva, após reunir-se com o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, que pediu a 'todas as partes' em confronto na Ucrânia que 'respeitem a democracia e o Estado de direito'.

Durão Barroso advertiu que a atual instabilidade política atrasará as negociações que a UE mantém com Kiev desde março, para concluir um acordo reforçado entre as partes, que inclua uma área de livre-comércio e a cooperação em matéria energética.

- Há uma grave crise política, a qual esperamos que seja resolvida dentro das normas democráticas - disse Barroso, a quem Yushchenko assegurou que 'não há nenhum risco de uma intervenção militar ou policial na Ucrânia'.

- Não há presença militar em Kiev - declarou Yushchenko, que pediu aos simpatizantes de Yanukovich que evitem ir à capital para fazer manifestações.

Em 2 de abril, Yushchenko dissolveu o Parlamento, e convocou eleições antecipadas para 27 de maio, após acusar a maioria parlamentar do Governo de Yanukovich de implementar uma política ilegal de cooptação de deputados opositores, para acumular mais poder.

Yushchenko se comprometeu nesta terça-feira a respeitar qualquer decisão que seja adotada pelo Tribunal Constitucional ucraniano, ao qual apelou Yanukovich, mas alertou que é necessário negociar um acordo político entre as partes em confronto.

- As forças políticas ucranianas encontrarão um modo de conseguir um compromisso - afirmou, ressaltando que 'chegou o momento de pôr as coisas em ordem'.

Yanukovich também pregou o respeito à decisão do Tribunal Constitucional.

- Se não chegarmos a um acordo antes, acataremos a decisão do tribunal - assegurou Yanukovich.

Ele advertiu, no entanto, que a decisão do Tribunal não dá razão a Yushchenko.

- A responsabilidade jurídica e política por ter violado a Constituição será do presidente - afirmou.

O primeiro-ministro não economizou críticas contra seu rival político.

- Em vez de diálogo, temos ultimatos; em vez de idéias construtivas, insultos', criticou Yanukovich, que disse ter 'deixado de lado' todas as divergências e mal-entendidos, e 'estendido a mão'

ao adversário.

Para o primeiro-ministro, 'não há base' para a realização de eleições antecipadas. Ainda assim, o primeiro-ministro disse que a possibilidade não o assusta.

- Nós venceríamos - garantiu.

Yanukovich reconheceu os problemas de corrupção vividos em seu país, mas qualificou de excelente a situação econômica da Ucrânia.

Este não é o primeiro enfrentamento entre o pró-russo Yanukovich e o pró-ocidental Yushchenko, que assumiu a Presidência do país em janeiro de 2005, após a 'Revolução Laranja' provocada pela fraude cometida nas eleições presidenciais de 2004, que deu a vitória a Yanukovich.

Yanukovich foi nomeado primeiro-ministro em agosto passado, após o fracasso dos aliados de Yushchenko em sua tentativa de conseguir a maioria nas eleições legislativas de março de 2006.