Premiê do Iraque escolhe novos ministros após saída de sadristas

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BAGDÁ - O gabinete iraquiano debateu nesta terça-feira nomes para substituir os seis ministros ligados ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr, que se demitiram na véspera. Autoridades dizem que a preferência recai sobre tecnocratas não-sectários.

A maior reforma ministerial em um ano do governo de Nuri Al Maliki é provocada por um protesto dos sadristas contra a falta de um cronograma para a retirada das tropas norte-americanas do país.

Sadr controla a maior bancada parlamentar dentro da fracionada coalizão governista, mas sem formar maioria. Os sadristas pediram ao primeiro-ministro que nomeie políticos independentes, apartidários, o que Maliki se mostrou de acordo.

Um assessor do governo disse que o premiê apresentará nos próximos dias ao Parlamento seus indicados para as vagas, que incluem os ministérios dos Transportes e da Saúde.

Os analistas se dividem sobre as implicações da retirada, mas concordam que ela não deve enfraquecer o governo significativamente. A maior preocupação é que Sadr, distanciando-se de Maliki, possa se sentir menos obrigado a conter as ações da sua temida milícia, chamada Exército Mehdi.

Também é possível que aumente a pressão para que Maliki estabeleça um cronograma da desocupação, como querem muitos iraquianos. Na semana passada, uma manifestação contra a presença norte-americana reuniu dezenas de milhares de pessoas. Maliki diz que ainda não há condições de segurança para que os EUA deixem o país.

A substituição dos ministros seria discutida na reunião ministerial ordinária desta terça-feira.

- O primeiro-ministro deseja escolher seus ministros muito rapidamente, e esperamos que ele apresente tecnocratas qualificados até a semana que vem - disse o deputado xiita Haider Al Ibadi, muito ligado ao premiê.

Outro deputado xiita, Ali Al Adeeb, confirmou que a reforma está sendo discutida e que 'não haverá escolhas baseadas em afiliações sectárias'.

Muitos iraquianos consideram que a divisão do governo entre curdos, árabes sunitas e xiitas torna as decisões lentas e transforma os ministérios em feudos sectários e/ou partidários.

Maliki muitas vezes foi acusado de não agir contra o Exército Mehdi por dever seu cargo a Sadr. A milícia é apontada pelos EUA como a maior ameaça individual da atualidade no país, mas em geral se mantém discreta desde o início da operação de segurança em Bagdá. Agora, há temores de que ela volte às ruas para retaliações contra uma onda de atentados atribuída à Al Qaeda, que é um grupo sunita.

Alguns analistas argumentam que Sadr vinha perdendo apoio dentro do movimento devido ao seu apoio tácito à operação de segurança, que ele esperava que acelerasse a desocupação, e que por isso decidiu retirar seus ministros do governo.