Iraque: Sete em cada 10 feridos morrem por problemas na Saúde

Agência EFE

BAGDÁ - Sete em cada 10 pacientes feridos de forma grave em algum episódio de violência no Iraque morrem nas unidades de emergência e cuidados intensivos por causa da escassez de pessoal, de remédios e de equipamento, disse nesta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A violência que atinge o Iraque provocou uma pressão extrema sobre os serviços de saúde dentro do país, por causa do deslocamento em massa da população, mas também nas nações mais próximas, que em conjunto abrigam 2,3 milhões de refugiados iraquianos.

Por ocasião da conferência que acontece hoje e amanhã em Genebra para coordenar os esforços internacionais de ajuda aos deslocados e refugiados iraquianos, a OMS expressou sua preocupação pelo agravamento geral das condições de saúde no Iraque e pela carga que os deslocados representam para as comunidades que os recebem. Segundo os últimos números do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), há 2,3 milhões de refugiados iraquianos em diferentes países do Oriente Médio, sobretudo na Síria e na Jordânia, e mais 1,9 milhão de deslocados dentro do Iraque, e existe o temor de que este número continue aumentando.

A OMS diz que uma média de cem pessoas morre por dia no Iraque em ataques perpetrados por grupos sectários, enquanto muitas outras acabam feridas. Sobre a situação sanitária do país, a OMS disse que 80% da população não recebe um atendimento médico efetivo, 70% têm problemas regulares de fornecimento de água potável e apenas 60% têm acesso ao sistema público de distribuição de alimentos.

Para piorar a situação, os casos de diarréia e de infecções respiratórias estão aumentando na população infantil, aguçados pelos altos níveis de má nutrição, e se tornaram a causa da morte dos dois terços das crianças com menos de cinco anos.

A agência da ONU também diz que 21% das crianças sofrem com má nutrição crônica aguda. Por outro lado, a OMS disse que os avanços obtidos pelo Iraque nos últimos anos na área da saúde poderiam ser perdidos caso estes problemas não possam ser solucionados.

Como exemplo, ele mencionou que nenhum caso de pólio foi registrado ali nos últimos seis anos, mas por causa da baixa cobertura atual da imunização, o risco de ser importado algum caso ou que surja alguma outra doença é elevado. Por isto, a organização disse que suas prioridades no Iraque são colaborar com as autoridades sanitárias para conter qualquer risco de epidemia e melhorar a capacidade de atender os feridos nos serviços de urgência.

Além disso, trabalha para que haja disponibilidade de remédios e equipamentos médicos básicos, água potável, assim como eletricidade e combustível para as instalações hospitalares. Atualmente, a OMS está presente no Iraque com 77 funcionários.