Papa celebra aniversário cercado por compatriotas e música

Agência EFE

CIDADE DO VATICANO - O Papa Bento XVI celebrou nesta segunda-feira seu 80º aniversário, rodeado por seus compatriotas alemães e desfrutando de uma de suas maiores paixões: a música, com um concerto organizado em sua homenagem. De manhã, o Pontífice recebeu Edmund Stoiber, o presidente de sua Baviera natal, além de Land Schleswig-Holstein e Peter Harry Carstensen, que chegaram ontem a Roma para assistir à missa em homenagem a Bento XVI, celebrada na Praça de São Pedro. Uma delegação de fiéis católicos de Munique, encabeçada pelo cardeal Friedrich Wetter, também viajou à capital italiana para felicitar o Pontífice.

A comemoração teve também objetivos religiosos, como o de continuar reforçando as relações com os ortodoxos. Bento XVI recebeu, na segunda-feira, Ioannis Zizioulas, enviado especial do Patriarca da Igreja Ortodoxa Grega, Bartolomeu I. Em outra comemoração, o Vaticano organizou uma refeição em homenagem ao Papa na Sala Ducal do Palácio Apostólico, em que estiveram presentes 70 cardeais. Segundo o secretário de Estado do Vaticano, Tarciso Bertone, um Papa em 'ótima forma' dialogou com os religiosos durante a refeição. O tema das conversas teria sido seu último livro - o primeiro de seu pontificado -, 'Jesus de Nazaré', que, com uma edição de 350 mil cópias, chegou às lojas da Itália em seu aniversário.

Como revelou seu secretário, Georg Gaenswein, Bento XVI recebeu muitas cartas de felicitações, e também 'pequenos presentes', como CDs, flores e um até mesmo um ' grande urso de pelúcia', que doou ao hospital infantil do Menino Jesus, em Roma. Como manda a tradição, os funcionários do Vaticano também ganharam 'presentes": um dia livre e um pagamento extra de US$ 500. O presente mais comentado, porém, foi o concerto da Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart (SWR), sob a regência do venezuelano Gustavo Dudamel, em homenagem a Bento XVI. O concerto foi organizado pelo Vaticano na Sala Nervi.

Foram interpretadas peças do compositor italiano Giovanni Gabrieli, além do concerto para violino número 3 de Wolfgang Amadeus Mozart, e da sinfonia número 9 do Novo Mundo, de Antonin Dvorak. Depois, o Papa, que toca piano freqüentemente, leu uma mensagem dedicada à música.

- Estou convencido de que a música, e aqui penso no grande Mozart e, naturalmente, em outros compositores, é a linguagem universal da beleza, capaz de unir os homens de boa vontade - disse o Papa.

Bento XVI agradeceu a possibilidade de ter a música 'como companheira de viagem' durante sua vida, e lembrou que sua família o aproximou, durante sua infância, dessa 'fonte de inspiração e serenidade'.

- Que a grandeza da música lhes possa doar uma nova e contínua inspiração para construir um mundo de amor, de solidariedade e de paz - acrescentou.

Nos últimos dias, o Papa recebeu telegramas de felicitações dos principais líderes políticos e religiosos do mundo, dentre os quais o patriarca ortodoxo de Moscou, Alexei II, que lhe desejou uma longa vida. No telegrama, reproduzido pela imprensa italiana, Alexei II, principal opositor da visita de um Pontífice católico à Rússia, diz que compartilha de muitas idéias expressadas nas obras teológicas do Papa. Reitera, ainda, que as duas igrejas têm a mesma opinião sobre muitos problemas do mundo moderno.