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Ativista de Belarus e ONGs russa e ucraniana ganham Nobel da Paz
Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 07/10/2022 às 06:00
Alterado em 07/10/2022 às 07:43
Ales Bialiatski Foto: Facebook
O ativista pelos direitos humanos de Belarus Ales Bialiatski e as ONGs da Rússia Memorial e da Ucrânia Centro para Liberdades Civis ganharam o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (7), informou o Comitê do Nobel em Oslo.
Todos foram premiados por "seu compromisso na defesa dos direitos humanos e do direito de criticar o poder, na defesa dos direitos de cidadãos e contra os abusos de poder", além de "terem documentado crimes de guerra".
Bialiatski é um dos principais ativistas de Belarus desde os anos 1980 e atualmente está preso pelo regime de Aleksandr Lukashenko. O representante fundou a ONG Viasna em 1996, dois anos depois do atual mandatário assumir o poder, para protestar contra uma série de emendas constitucionais que dariam a possibilidade de Lukashenko se perpetuar no cargo - o que de fato aconteceu.
No anúncio, inclusive, o Comitê do Nobel fez um apelo pela libertação de Bialiatski.
Já a ONG Memorial, fundada em 1989 por diversos ativistas para evitar que os crimes cometidos durante o regime comunista fossem esquecidos, teve suas atividades encerradas em dezembro do ano passado por determinação da Suprema Corte da Rússia. No entanto, a instituição ainda continua a atuar com seus representantes no exterior.
A justificativa oficial das autoridades do governo de Vladimir Putin é de que a entidade não respeitava a polêmica lei sobre atuação de "agentes estrangeiros", mas fato é que era uma das poucas ainda a criticar abertamente o governo de Moscou.
É o segundo ano consecutivo que a oposição a Putin recebe um Nobel da Paz. No ano passado, um dos vencedores foi o jornalista e cofundador do jornal Novaya Gazeta, Dmitry Muratov, um dos maiores críticos da guerra da Rússia na Ucrânia.
Por sua vez, o Centro para Liberdades Civis foi fundado em 2007 para defender a democracia na Ucrânia e para promover os direitos humanos no país. No entanto, desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro de 2022, tem se empenhado tanto na ajuda humanitária como na documentação de crimes de guerra cometidos pelos invasores. (com agência Ansa)