Ucranianos escapam da cidade de Sumy no primeiro corredor de evacuação acordado com a Rússia

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Foto: Reuters
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Ucranianos embarcaram em ônibus para fugir da cidade sitiada de Sumy, no leste, nesta terça-feira 8), a primeira evacuação de uma cidade ucraniana através de um corredor humanitário acordado com a Rússia após várias tentativas fracassadas nos últimos dias.

O governador de Sumy, Dmitro Zhivitskiy, disse em um comunicado em vídeo que os primeiros ônibus já partiram para a cidade de Poltava, mais a oeste. Ele disse que a prioridade será dada aos deficientes, mulheres grávidas e crianças em orfanatos.

Um pequeno vídeo divulgado pelo conselheiro presidencial Kyrolo Tymoshenko mostrou um ônibus vermelho com alguns civis a bordo.

"Foi acordado que o primeiro comboio partirá às 10h da cidade de Sumy. O comboio será seguido pela população local em veículos pessoais", disse a vice-primeira-ministra Iryna Vereshchuk em um comunicado televisionado.

Os moradores também estavam deixando a cidade de Irpin, um subúrbio da linha de frente de Kiev, onde jornalistas da Reuters filmaram famílias fugindo para salvar suas vidas sob intenso bombardeio no domingo. Moradores corriam com seus filhos pequenos em carrinhos ou embalando bebês nos braços, enquanto outros carregavam animais de estimação e sacolas plásticas de pertences.

"A cidade está quase em ruínas, e o bairro onde moro é como se não houvesse casas que não tivessem sido bombardeadas", disse uma jovem mãe, segurando um bebê debaixo de um cobertor, enquanto sua filha estava ao seu lado.

"Ontem foi o bombardeio mais difícil, e as luzes e o som são tão assustadores, e todo o prédio está tremendo."

A agência de notícias russa Interfax disse que Moscou está abrindo corredores nesta terça-feira (8) para permitir que as pessoas deixem cinco cidades ucranianas: Cherhihiv, Kharkiv, Mariupol e a capital Kiev, além de Sumy. Não houve comentários imediatos do lado ucraniano sobre evacuações de cidades além de Sumy.

Autoridades russas e ucranianas concordaram com corredores semelhantes para evacuar moradores do porto sitiado de Mariupol, no sul, no sábado e no domingo, mas ambas as tentativas falharam, com cada lado acusando o outro de continuar atirando.

Moscou descreve suas ações na Ucrânia como uma "operação especial" para desarmar seu vizinho e prender líderes que chama de "neo-nazistas". A Ucrânia e seus aliados ocidentais chamam isso de pretexto infundado para uma invasão para conquistar um país de 44 milhões de pessoas.

A invasão da Rússia, o maior ataque a um Estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial, enviou 1,7 milhão de refugiados para outros países. As sanções ocidentais cortaram a Rússia do comércio internacional em um grau nunca antes imposto a uma economia tão grande.

A Rússia é o principal exportador mundial de petróleo e gás, e tanto a Rússia quanto a Ucrânia são os principais fornecedores de grãos e metais, gerando preocupação de que o conflito possa causar grandes interrupções no fornecimento e inviabilizar a recuperação global da pandemia de coronavírus.

 

DESASTRE

A Ucrânia disse que o ritmo dos avanços da Rússia diminuiu nesta terça-feira (8). Seu Ministério da Defesa disse que o major-general russo Vitaly Gerasimov, primeiro vice-comandante do 41º Exército russo, foi morto nessa segunda-feira, o segundo major-general russo morto desde o início da invasão. O Ministério da Defesa da Rússia não pôde ser imediatamente contatado para comentar e a Reuters não pôde verificar os relatórios.

As negociações até agora se concentraram principalmente em permitir a passagem segura de civis para escapar do bombardeio de cidades que ficaram sob o cerco russo. Sumy no leste e Mariupol no sul estão entre os mais atingidos pelo ataque da Rússia.

A Rússia havia dito que exigiria que aqueles que fugissem de Kiev ou Kharkiv fossem para a própria Rússia ou sua aliada Bielorrússia, condições rejeitadas pela Ucrânia. Aqueles que deixassem Sumy ou Mariupol seriam autorizados a ir para outras partes da Ucrânia.

Países ocidentais dizem que o plano de batalha inicial da Rússia para um ataque rápido para derrubar o governo de Kiev falhou nos primeiros dias da guerra, e Moscou ajustou suas táticas para cercos mais longos às cidades.

A principal força de assalto em direção a Kiev ficou presa em uma estrada ao norte da capital, uma coluna blindada que se estende por quilômetros. Ao sul, a Rússia fez mais progressos ao longo das costas do Mar Negro e Azov.

Os temores de uma guerra energética entre a Rússia e o Ocidente cresceram nesta semana, depois que os Estados Unidos pressionaram seus aliados a proibir as importações de petróleo russo. As sanções até agora abriram uma exceção para as exportações de energia russas.

O presidente dos EUA, Joe Biden, realizou uma videoconferência com os líderes da França, Alemanha e Grã-Bretanha nessa segunda-feira. Os Estados Unidos não são um grande comprador de energia russa, mas a Rússia fornece 40% do gás da Europa, e os aliados europeus indicaram até agora que não estão em condições de interromper o fornecimento de energia russo.

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, disse na segunda-feira que a Rússia pode interromper as entregas de gás à Alemanha em retaliação à suspensão de um novo gasoduto por Berlim. Os preços do petróleo podem mais que dobrar para US$ 300 o barril se os Estados Unidos e seus aliados proibirem as importações de petróleo russo, disse ele.

Um alto funcionário da defesa dos EUA disse que Putin já havia mobilizado quase 100% dos mais de 150.000 soldados que ele havia preparado fora da Ucrânia antes da invasão. (com agência Reuters)

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