Afegãs ignoram Talibã e voltam a fazer protestos

Governo proibiu atos 'não autorizados' a partir desta quinta

Foto: Wali Sabawoon/AP
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Mesmo com a determinação do Talibã de proibir manifestações "não autorizadas", diversas cidades do Afeganistão registraram atos de mulheres nesta quinta-feira (9).

Os maiores ocorreram em frente à embaixada do Paquistão em Cabul e nas províncias de Parwan, ao norte, e Nimruz, ao sul do território.

Em frente a embaixada, segundo a agência Aamaj News, as mulheres acusavam o Paquistão de ser "inimigo de longa data do Afeganistão", por conta do apoio dado aos talibãs, e que o protesto terminou "com violência, com várias ativistas sendo presas".

O decreto emitido pelo Ministério da Justiça nesta quarta-feira (8) determina que todos os protestos devem ser solicitados "com 24 horas de antecedência" e que todos os detalhes das motivações, do local do ato e de quem organiza devem ser repassados para liberação.

Formados majoritariamente por mulheres, os protestos pedem respeito aos direitos humanos e liberdade de movimentação. No primeiro governo talibã, entre 1996 e 2001, elas foram impedidas de estudar, trabalhar e até de sair de casa sem a companhia de um homem. E há o temor de que o grupo volte a impor essas regras.

No poder desde 15 de agosto, os fundamentalistas estão, gradativamente, aumentando as limitações a elas. Já foram proibidas turmas mistas em universidades e a prática de quase todos os esportes.
Elas também só poderão ter aulas com professoras mulheres ou homens idosos "com conhecido bom caráter". Além disso, só podem frequentar as aulas nas universidades com o rosto coberto por um véu islâmico chamado niqab.

O Talibã reassumiu o poder no dia 15 de agosto após a queda de Cabul e anunciou um governo provisório no último dia 7 de setembro. O novo Executivo é formado apenas por homens e dois deles são considerados terroristas pelas Nações Unidas e pelos Estados Unidos. (com agência Ansa)