Crise climática domina cúpula do G20 financeiro em Veneza

Ministros defenderam taxação sobre emissões de carbono

Andrea Merola/Ansa
Credit...Andrea Merola/Ansa

Discussões sobre a crise climática dominaram a cúpula dos ministros da Economia e presidentes de bancos centrais do G20 em Veneza, na Itália, nessa sexta-feira (9).

Já de olho na recuperação pós-pandemia, os representantes do grupo alertaram para a importância de "descarbonizar" a economia, tema que encobriu até o histórico acordo de 130 países para criar um imposto mínimo global sobre multinacionais.

"A atenção está na taxação das multinacionais e no imposto mínimo global, mas existem outros temas relevantes, e um deles é o das mudanças climáticas", disse o anfitrião Daniele Franco, ministro da Economia da Itália.

"As mudanças climáticas são uma grande ameaça para todo o mundo, e precisamos agir pela saúde do planeta", acrescentou. A declaração encontrou eco no comissário de Economia da União Europeia, o também italiano Paolo Gentiloni, que pediu a criação de um imposto sobre as emissões de carbono.

"O momento de uma taxa 'verde' é agora ou nunca mais. É preciso encontrar um equilíbrio entre a ambição e a necessidade de cooperação global", disse Gentiloni. A diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, seguiu na mesma linha e afirmou que a luta contra a crise climática vai exigir um "poderoso sinal sobre os preços das emissões de CO2 [dióxido de carbono, gás causador do efeito estufa]".

"Para atingir o objetivo de zero emissões líquidas em 2050, é indispensável chegar a pelo menos US$ 75 por tonelada, contra os apenas US$ 3 do preço atual. A distância é grande demais para deixar que os países façam isso sozinhos", salientou.

Já a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, ressaltou que a "descarbonização das economias até a metade do século exigirá decisões difíceis". "É nossa responsabilidade agir imediatamente", disse ela, cobrando mais transparência nos dados sobre emissões de poluentes.

Por sua vez, o ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, propôs um "piso global" para o preço do carbono. "É preciso introduzir um preço do carbono equânime e eficiente. Em um mundo ideal, o preço seria igual, mas sabemos que há diferenças políticas em relação a esse objetivo", acrescentou, propondo que o G20 seja a "força motriz na coordenação das ações contra as mudanças climáticas".

Taxação global

O G20 financeiro acontece em formato misto - presencial e virtual - e termina neste sábado (10), mas um rascunho da declaração final mostra apoio ao acordo de 130 países para criar um imposto global de pelo menos 15% sobre os lucros de multinacionais.

"Apoiamos os principais componentes do sistema sobre a realocação dos lucros das multinacionais e uma efetiva taxa mínima global, como está previsto no acordo na OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico]", diz o texto.

O documento ainda não foi aprovado pelos ministros, que podem modificar os termos usados na declaração. De qualquer forma, os membros do G20 já são signatários do pacto fechado no âmbito da OCDE.

À margem da cúpula em Veneza, o ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, se disse "muito feliz" com o acordo.

"Após a luta contra a Covid, acumulamos muitas dívidas para combater a crise sanitária, e contra essa crise é necessário dar esse passo adiante", afirmou.(com agência Ansa)