Intolerância e racismo sobem de tom na campanha eleitoral nos EUA

'O presidente deles permite que isso aconteça, habilita-os e encoraja-os que digam coisas dolorosas a outras pessoas só por existirem'

Foto: Reuters/Leah Millis
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A 7 dias para as presidenciais de 03 de novembro nos Estados Unidos, a intolerância e o racismo continuam com força na campanha eleitoral.

Em Harrisburg, capital do Estado norte-americano da Pensilvânia, um dos mais importantes na corrida eleitoral entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden, jovens apoiadores do candidato democrata denunciaram o crescimento de ameaças e ataques verbais dos quais são alvos.

Cole Goodman, afro-americano de 26 anos, diz que os insultos vêm do lado republicano e que lhe mostraram um “racismo cru” como nunca tinha visto.

“As pessoas ficam superpartidárias e muito concentradas nos seus candidatos e campanhas, tanto que o querem expressar verbalmente, especialmente com a agitação por razões raciais e justiça criminal no país”, acrescenta Cole Goodman, membro eleito do comitê executivo do partido Democrata no estado da Pensilvânia.

Segundo estatísticas do Departamento de Estado da Pensilvânia, o condado de Dauphin, onde a cidade de Harrisburg está localizada, tem cerca de 196 mil eleitores, dos quais 45,5% são registados pelo Partido Democrata e 39% são do Partido Republicano.

Quase 21 mil pessoas daquele condado declaram não ter filiação política.

Bailey Monroe, de 22 anos, amiga de Cole Goodman e voluntária na campanha de Joe Biden, concorda que este ano encontrou mais pessoas que usam insultos quando veem campanhas de outros candidatos que não Donald Trump.

Os dois fazem parte de “dois grupos marginalizados”, o de pessoas negras e pessoas da comunidade LGBT. Consideram que este ano, como nunca antes, estão sendo muito mais atingidos com insultos pelos apoiadores de Donald Trump.

Bailey Monroe lamenta que os ataques verbais aconteçam porque “o presidente deles permite que isso aconteça, habilita-os e encoraja-os que digam coisas dolorosas a outras pessoas só por existirem”.

A jovem recordou que estava “nervosa e assustada” quando soube dos resultados da eleição de 2016, a primeira em que votou, e confessou que chorou quando soube da vitória de Trump.

Para Cole Goodman, que participou nos protestos que dominaram os Estados Unidos a partir de 25 de maio passado, quando o afro-americano George Floyd morreu em custódia policial, este ano vê-se “o racismo genuíno pronto para puxar para trás e manter o ‘status quo’”.

Com as opiniões do atual presidente, que acusa os protestantes contra o racismo e pelo movimento ‘Black Lives Matter’ (Vidas Negras Importam) de serem “bandidos saqueadores”, é assim que seus apoiadores “estão programados” para ver uma pessoa negra, adianta.

Cole Goodman lamenta que os grupos marginalizados na América sejam “deprimidos, reprimidos e oprimidos”.

Para os dois democratas, que saem com ‘t-shirts’ e sinais de apoio a Biden por toda a cidade de Harrisburg e pelo condado de Dauphin, tentar falar com republicanos pode ser uma “causa perdida”, apesar de que “nem todos” são mal educados ou os tratem mal.

Bailey Monroe explica que alguns republicanos “não querem ouvir, porque já escolheram o homem deles e estão muito dedicados” e acrescenta que alguns pátios e jardins “parecem santuários, com manequins de Trump”.

O membro do comité executivo do partido Democrata na Pensilvânia diz que “especialmente nas partes mais rurais do Estado da Pensilvânia, Trump é considerado como um Deus”.

“Não estamos dizendo que os republicanos são maus, mas muitos do núcleo mais forte de apoiadores são muito radicais”, diz Goodman.

As eleições presidenciais nos EUA são decididas pelos votos no Colégio Eleitoral, constituído por 538 “grandes eleitores” dos 50 Estados norte-americanos, que são obrigados a declarar o seu voto no candidato mais votado pelos cidadãos no ato eleitoral.

Cada Estado tem um número diferente de “grandes eleitores”, proporcional ao número de habitantes, e o Estado de Pensilvânia contribui com 20 votos, o que torna esta região numa prioridade para os candidatos, que precisam obter mais de 270 votos do Colégio Eleitoral para vencer as eleições.(com agência Lusa)