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Quinto dia de atos pró-independência reúne milhares em Barcelona

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Milhares de manifestantes agitando bandeiras pró-independência e cantando "liberdade para presos políticos" marcham na Catalunha nesta sexta (18), quinto dia de protestos contra as sentenças de prisão emitidas para líderes separatistas por uma tentativa fracassada de romper com a Espanha em 2017.

Os ativistas, muitos dos quais começaram sua jornada há dois dias a partir de municípios do nordeste catalão, devem chegar à capital regional Barcelona ao entardecer desta sexta, pelo horário local. A marcha é parte de uma greve geral na região, convocada por lideranças independentistas.

Variando de famílias empurrando carrinhos de bebê a ciclistas, os manifestantes tomaram uma faixa de rodovia e outras estradas principais enquanto caminham pacificamente em direção à capital catalã ostentado fitas amarelas -um sinal de protesto contra as prisões. Uma via de acesso à França foi fechada.

A mobilização separatista voltou a ganhar força nesta semana depois que a Suprema Corte espanhola condenou nove líderes do movimento separatista a penas de até 13 anos de prisão por seu envolvimento na tentativa de se separa a Catalunha da Espanha em 2017.

Naquele ano, o governo da Catalunha realizou um plebiscito sobre a separação, que foi considerado ilegal por Madri. Na ocasião, os líderes catalães foram removidos do poder pelo governo nacional, com base em um artigo da Constituição que veta a secessão do país.

Alguns deles foram presos preventivamente, e outros, como Carles Puigdemont, fugiram.

Devido à escalada de protestos nos últimos dias, a Federação Espanhola de Futebol (RFEF) comunicou que o esperado jogo do Barcelona contra o Real Madri foi adiado por questões de segurança -o clássico aconteceria em Barcelona no dia 26. O comitê pediu que os times acertem uma nova data para a partida.

Além disso, a basílica da Sagrada Família, uma das principais atrações turísticas de Barcelona, foi fechada. Os trens regionais e a rede de metrô funcionam parcialmente.

Exilado na Bélgica desde 2017, o líder separatista Carles Puigdemont teve uma nova vitória nesta sexta: a Justiça belga decidiu deixá-lo em liberdade condicional, enquanto examina um novo pedido de extradição contra ele emitido pela corte espanhola no mesmo dia em que as sentenças foram divulgadas.

Puigdemont não teve que pagar fiança, mas fica obrigado a comunicar as autoridades belgas sobre suas viagens e atividades. Ele pode deixar o país com autorização da Justiça.

A Suprema Corte da Espanha solicitou sua entrega pelos crimes de sedição e apropriação indevida de fundos públicos.

O saldo dos protestos de segunda (14) até esta sexta é de mais de 200 voos cancelados no aeroporto de El Prat, em Barcelona, e de 700 contêineres de lixo incendiados na cidade. Nesta sexta, o movimento no mercado atacadista MercaBarna -como um Ceagesp local- caiu cerca de 90%.

 

POR QUAIS CRIMES OS LÍDERES CATALÃES FORAM CONDENADOS?

De acordo com os sete jurados da Suprema Corte espanhola, os líderes do plebiscito separatista de 2017 estimularam mobilizações que geraram tumultos, mas não instigaram atos violentos pela independência. Por isso, nenhum dos 12 acusados recebeu a pena mais grave por rebelião. 

Nove separatistas foram condenados por sedição, definida pela constituição espanhola como "se levantar publicamente e tumultuosamente para prevenir, com o uso da força ou além de meios legais, a aplicação da lei". Em outras palavras, seria um ato de insubordinação por parte de um grupo que tenta evitar a aplicação da lei. A sentença máxima é de 15 anos de prisão.

Todos foram absolvidos da acusação de rebelião, que envolve uma revolta necessariamente violenta contra o governo estabelecido, como em um levante armado que pretenda alterar a estrutura do Estado. As penas vão de 15 a 25 anos de prisão.

Três foram condenados por desobediência, uma ilegalidade mais branda, penalizada com multa e proibição de ocupar cargos públicos.

E quatro foram condenados por mau uso de dinheiro público, que leva a prisões de dois a seis anos. Estas mesmas quatro pessoas também foram culpadas de sedição, mas a pena combinada é menor do que a soma das penas individuais.

(FolhaPress)