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Socialistas vencem eleições em Portugal e já buscam alianças

O PS terá de recorrer a partidos de esquerda para obter maioria

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Após quatro anos de governo, o Partido Socialista venceu com folga as eleições legislativas deste domingo (6) em Portugal e já deu início às conversas para garantir maioria no Parlamento.

O PS, liderado pelo primeiro-ministro António Costa, alcançou 36,65% dos votos, contra 32,31% nas eleições de 2015, e obteve 106 das 230 cadeiras na Assembleia da República. Para garantir maioria, os socialistas terão de atrair ao menos mais 10 deputados.

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António Costa celebra vitória em Portugal (Foto: Ansa)

O segundo lugar ficou com o Partido Social Democrata (PSD) - que, apesar do nome, é de centro-direita -, com 27,9% dos votos (77 assentos). Em seguida aparecem as duas coalizões que deram sustentação a Costa no governo: o Bloco de Esquerda (BE), com 9,67% (19 cadeiras), e a Coligação Democrática Unitária (CDU), com 6,46% (12).

Os socialistas chegaram à vitória após uma taxa de crescimento econômico de 2,1% no ano passado e desemprego ao redor de 6%. Em uma União Europeia que se debate com o avanço da extrema direita eurocética, Costa deu fôlego à esquerda ao abandonar o crônico problema português de excesso de gastos e quase eliminar o déficit nas contas públicas.

O primeiro-ministro prometeu manter sua política de responsabilidade fiscal, mas a perspectiva de uma desaceleração da economia europeia já fez o BE e a CDU, candidatos mais óbvios para uma aliança, cobrarem aumento dos gastos do governo, como a reestatização da empresa de correios CTT, privatizada em 2014.

Além disso, os comunistas, que integram a CDU, querem a expansão do salário mínimo de 600 para 850 euros, elevação das aposentadorias e pré-escola gratuita para todas as crianças de até três anos.

"A estabilidade política é essencial para a credibilidade internacional de Portugal", alertou Costa em seu discurso de vitória. Apesar das políticas de responsabilidade fiscal do governo, o país segue com a terceira maior dívida pública da UE, 120% do PIB, atrás apenas de Grécia e Itália, e o envelhecimento da população ameaça seu sistema de bem-estar social. (Ansa)