Eleições no Afeganistão tem menos ataques do Taleban do que o previsto

A eleição presidencial no Afeganistão foi realizada neste sábado (28) sob forte temor de que o Taleban faria grandes atentados contra os locais de votação. 

O grupo realizou diversos ataques, mas em escala menor do que se temia. O governo confirmou uma morte e registrou 17 feridos nessas ações. 

Antes do pleito, o Taleban fez fortes ameaças contra as pessoas que fossem votar, para tentar dissuadir os 9,6 milhões de eleitores de ir às urnas. Na quinta (26), o grupo afirmou que iria atacar os locais de votação.

O ministério do Interior anunciou o envio de 72 mil homens para monitorar os quase 5.000 centros eleitorais em todo o país, que abriram às 7h (23h30 de sexta no horário de Brasília) e fecharam por volta das 17h, duas horas após o previsto inicialmente, para compensar o atraso na abertura de alguns locais.

A eleição ocorre semanas após a suspensão de conversas sobre um acordo de paz entre o Taleban, o Afeganistão e os Estados Unidos.

Membros do grupo atacaram diversos centros ao redor do país. As medidas de segurança evitaram violência em grande escala. Um atentando em Jalalabad, no leste do país, deixou pelo menos um morto e dois feridos na tarde do sábado (horário local). Outro, em Kandahar, no sul, deixou 15 feridos.

Os principais candidatos (18 ao todo) são o atual presidente, Ashraf Ghani, 70, e Abdullah Abdullah, 59, chefe do Executivo do país.

A expectativa é que Ghani vença no primeiro turno, mas os opositores o acusaram de comprar votos e de outros abusos, o que ele e seus porta-vozes negaram.

A campanha de Abdullah fez ataques ao presidente, pintando-o como um líder distante e egocêntrico que enganou e decepcionou o público.

Os resultados preliminares não devem ser anunciados antes do dia 17 de outubro e a apuração final não deve sair antes de 7 de novembro. Se nenhum dos candidatos conseguir ao menos 51% dos votos, haverá segundo turno, com os dois mais votados.

De acordo com os observadores, os equipamentos com biometria usado neste pleito para evitar fraudes tiveram desempenho melhor do que na eleição parlamentar de outubro do ano passado, quando foram usados pela primeira vez. Ainda assim, os eleitores tiveram que esperar em longas filas para registrar seu voto para presidente.

"O primeiro eleitor teve que esperar 31 minutos. Os seguintes levaram cerca de cinco minutos para votar e, em seguida, o tempo variou entre três minutos e 30 segundos", disse Nishank Motwani, que monitorou locais de votação em Cabul. 

"As equipes pareciam em pânico e as pessoas estavam ficando nervosas porque as filas não se moviam", acrescentou. 

A Comissão Eleitoral Independente (IEC, na sigla em inglês) optou por usar as máquinas novamente, mas, desta vez, investiu mais no treinamento das equipes que as operariam e enviou baterias extras. O Afeganistão sofre com cortes de energia frequentes.

Cada centro de votação tinha um desses equipamentos, além de formulários de papel de reserva.

"A tecnologia melhorou um pouco, assim, não foi tão ruim quanto na eleição parlamentar", afirmou Naem Ayubzada, diretor da Fundação Eleição Transparente, que monitorou centros em 34 províncias do país.

Segundo ele, ainda assim, as máquinas levaram até dez minutos para reconhecer um eleitor.

O equipamento, fabricado pela companhia alemã Dermalog Identification Systems, usa digitais e fotos para reconhecimento. 

Hawa Alam Nuristani, diretor do IEC, afirmou que quaisquer problemas com as máquinas serão tratados no futuro. Representantes da Dermalog não foram encontrados para comentar as supostas falhas.