Gantz rejeita proposta de Netanyahu e diz que pretende ser premiê de Israel

O líder israelense Binyamin Netanyahu propôs ao rival Benny Gantz um acordo nesta quinta-feira (19): junte-se ao meu futuro governo, no qual seguirei como primeiro-ministro, e teremos ao nosso lado os partidos religiosos e de direita. 

Gantz, do partido Azul e Branco, não achou uma boa ideia e propôs o contrário: aceita a ideia de uma coalizão, mas desde que ele seja o comandante e que os partidos religiosos fiquem de fora.

"Os israelenses querem um governo de unidade (...). Vou formar esse governo comigo à frente", disse o líder do partido Azul e Branco, antes de uma reunião.

O Azul e Branco foi a legenda mais votada nas eleições de terça-feira (17), e somou 33 assentos. O Likud, de Netanyahu. veio em segundo lugar, com 31, de acordo com os dados registrados com 98% de apuração. 

No entanto, para formar maioria é preciso obter 61 das 120 cadeiras do Parlamento. Mesmo com suas coligações, nem Gantz nem Netanyahu conseguem chegar neste número, e passaram a ter de negociar com outros partidos para tentar resolver o impasse. 

Netanyahu não gostou da resposta. "Estou surpreso e desapontado com o fato de que Benny Gantz ainda rejeita meu chamado para uma reunião", disse, em uma rede social. "Gantz, minha oferta é que nós dois cheguemos a um acordo. É o que o público espera de nós".

Mais cedo, o premiê reconheceu suas dificuldades. "Durante a campanha, eu defendi a criação de um governo de direita, mas, lamentavelmente, o resultado da eleição mostrou que isso é impossível".

Netanyahu luta não apenas por sua sobrevivência política, mas também contra o risco de ser preso. Ele é investigado em três casos de corrupção, e fazer parte do governo pode ajudá-lo a obter imunidade legal.

O premiê, que está no cargo desde 2009, anunciou que não irá discursar na Assembleia Geral da ONU, que ocorre na próxima semana, em Nova York, justamente para tentar resolver o imbróglio político.

Uma das saídas aventadas é que Netanyahu e Gantz se alternem no poder ao longo do mandato, com dois anos de comando para cada um. Já houve um precedente. Em 1984, o Likud e o Partido Trabalhista se viram em impasse similar e decidiram formar governo em conjunto, com cada legenda liderando por dois anos.

Há prazo de seis semanas para os partidos chegarem a um acordo. Caso contrário, haverá novas eleições no início de 2020. O país já foi às urnas em abril deste ano. Embora tenha sido bem votado, Netanyahu não conseguiu apoio para formar um governo, o que gerou as eleições atuais.

(FolhaPress)