Hong Kong cancela corrida de cavalos e celebração com fogos de artifício por ameaça de protesto

O Jockey Clube de Hong Kong cancelou todas as corridas planejadas para esta quarta-feira depois que manifestantes pró-democracia anunciaram que visariam a prova de Happy Valley, que teria entre os competidores um cavalo cujo coproprietário é um parlamentar pró-China.

O governo também disse que os fogos de artifício para a comemoração do Dia Nacional da China, em 1º de outubro, foram cancelados.

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Prédios residenciais de luxo atrás de pista de corrida de cavalos Happy Valley, em Hong Kong (Foto: REUTERS/Bobby Yip)

O Jockey Clube disse que vem "monitorando a situação" atentamente na cidade sob controle chinês, que vem sendo abalada por protestos às vezes violentos há mais de três meses.

"Realizamos uma avaliação de risco minuciosa da corrida desta noite, e concluímos que ela deveria ser cancelada para preservar a segurança e a proteção de pessoas e cavalos", disse o clube em um comunicado, sem mencionar especificamente os protestos.

Um cavalo chamado Hong Kong Bet, que integraria a programação noturna, é em parte de posse do parlamentar Junius Ho, que adotou um tom duro com os manifestantes, chamando-os de "bandidos de camisa preta".

Não foi possível obter comentários de Ho de imediato.

A Happy Valley, realizadas nas colinas da ilha de Hong Kong, é uma área residencial de alto nível densamente povoada e situada perto do distrito comercial de Causeway Bay. A área tem uma pista de corrida de cavalos desde pouco depois de o controle colonial britânico ter se iniciado, em meados dos anos 1800.

As corridas acontecem de noite para evitar o calor diurno subtropical.

No domingo, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, muitos deles mascarados e de roupas pretas, que lançaram coquetéis molotov e iniciaram incêndios em Causeway Bay e nas proximidades.

Desafiando diretamente o governo chinês, alguns manifestantes atiraram tijolos contra a polícia diante da base do Exército Popular de Libertação da China e atearam fogo a um cartaz vermelho de comemoração do 70º aniversário da fundação da República Popular da China.

Os ativistas estão revoltados com o que veem como uma interferência sorrateira de Pequim nos assuntos da cidade, apesar de uma promessa de autonomia.

Nesta quarta-feira, o governo de Hong Kong disse que uma enorme queima de fogos sobre o porto, planejada para 1o de outubro, foi cancelada "em vista da situação mais recente e levando em conta a segurança pública". Ela costuma atrair uma grande multidão.