Bolsonaro volta a apoiar reeleição de Macri

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro, em viagem à Argentina, pediu a todos os argentinos que votem "com a razão e não com a emoção".

Desde o começo de maio, o brasileiro vem apelando à população do país vizinho para que não reconduza a ex-mandatária de esquerda Cristina Kirchner ao poder, em claro aceno ao atual presidente do país, Mauricio Macri, com quem Bolsonaro se encontrou nesta quinta-feira (6).

Cristina, no entanto, surpreendeu ao anunciar que concorrerá nas eleições de outubro ao cargo de vice-presidente na chapa que tem Alberto Fernandéz como candidato à Presidência.

Durante viagem a Dallas, nos EUA, no mês passado, o brasileiro disse esperar que a Argentina não siga o mesmo caminho da Venezuela, país que vive grave crise política e econômica.

No encontro desta quinta, Macri mencionou o país, dizendo que ambos os presidentes conversaram sobre o "duro momento que estão vivendo os venezuelanos".

"Faremos todo o possível para reestabelecer a democracia lá." Tanto Argentina quanto Brasil reconhecem o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente interino e são contrários ao ditador Nicolás Maduro.

Após o encontro, Bolsonaro disse que a situação na Venezuela só mudará se houver "uma rachadura na cúpula do Exército venezuelano".

"Caso contrário, fica complicado trazer normalidade para a região", afirmou o presidente.

O chanceler argentino, Jorge Faurie, disse que "os dois presidentes estão enormemente preocupados com o que com o drama dos venezuelanos. Querem que a América Latina não volte para trás, que os populismos não nos tirem a esperança nem a liberdade".

Segundo o ministro, Bolsonaro afirmou que a Argentina escapou por pouco de viver uma situação como a da Venezuela, assim como o Brasil --em uma referência ao kirchnerismo e aos governos do PT.

Macri e Bolsonaro mencionaram conversas sobre um intercâmbio energético com a construção de duas hidrelétricas na fronteira do Rio Grande do Sul com o vizinho.

Eleito com a promessa de promover um choque neoliberal, Macri enfrenta um agravamento da crise econômica no país. A inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu 55% e a perspectiva é que o PIB deste ano seja negativo e que a pobreza continue a aumentar.

Ainda assim, Bolsonaro, em entrevista ao jornal argentino La Nación, disse apoiar a política econômica de Macri, a qual considerou saudável.

Em entrevista após a reunião, o brasileiro disse que a "relação com a Argentina está cada vez melhor" e que torceria para o país vizinho na Copa América.

A opinião do presidente não é compartilhada pelo seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB), que criticou o argentino em um evento no Recife na quarta (5). Mourão afirmou que o presidente argentino não conseguiu realizar as reformas estruturantes necessárias. "Foi tímido, foi devagar nisso. Perdeu o passo, mas é aquele em que ainda confiamos", disse.

"Parece que é difícil para Macri vencer as eleições no atual momento. Nos preocupa a volta do kirchnerismo na Argentina, o que pode representar problemas de relacionamento com o nosso país."

Quando a reportagem perguntou a Bolsonaro sobre as declarações do vice, o presidente interrompeu: "Não li a matéria".

O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que o Brasil espera que continue a haver pressão diplomática contra a ditadura na Venezuela, e não admitiu que as negociações em Oslo tenham fracassado. "Vamos apoiar outras iniciativas como essa".

Sobre o fato de a gestão Bolsonaro estar apoiando abertamente a candidatura de Macri, Araújo disse que o governo não estava pensando na volta do kirchnerismo. "Não é pensando nessa hipótese que vamos deixar de aproveitar este momento. Não queremos de forma alguma interferir nas questões internas da Argentina".

Em outros, momentos, porém, o presidente brasileiro se manifestou abertamente contra a o retorno do populismo no país, representado, segundo ele, por uma volta do kirchnerismo.