Socialistas espanhóis resistem à queda dos partidos tradicionais

Partido teve crescimento significativo na União Europeia

O Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe) desafiou a tendência de queda das forças políticas tradicionais na União Europeia e conquistou uma contundente vitória nas eleições para renovar o Parlamento do bloco.

Um mês depois de ter conquistado 28,68% dos votos nas eleições legislativas, a sigla mais representativa da centro-esquerda na Espanha viu seu apoio subir para 32,84% do eleitorado, quase 10 pontos a mais que o resultado obtido no pleito europeu de 2014.

Por toda a UE, partidos tradicionais sofreram quedas significativas nesse período de cinco anos e abriram espaço para forças alternativas em Bruxelas, de ambientalistas a eurocéticos de extrema direita.

Essa tendência se mostrou particularmente forte na França e no Reino Unido, mas também é verificada em nações como Itália e Alemanha. Os quatro países passaram boa parte do pós-guerra polarizados entre conservadores e sociais-democratas, mas seus espectros políticos ganharam novas cores nos últimos anos.

A Espanha também vive esse cenário, com o surgimento de Cidadãos (liberal), Podemos (esquerda) e Vox (extrema direita), mas o Psoe, após alguns anos de estagnação, mostrou força para resistir aos novos tempos.

Com o resultado de domingo, o partido do primeiro-ministro Pedro Sánchez terá 20 assentos no Parlamento Europeu, a maior bancada dentro do grupo Socialistas & Democratas (S&D), que é a segunda força mais representativa em Bruxelas.

A perspectiva é de que o S&D se junte novamente ao Partido Popular Europeu (PPE) para formar a Comissão Europeia, com auxílio dos verdes ou dos liberais (ou de ambos), e Sánchez deve ter papel determinante nas tratativas.

Atrás do Psoe, o conservador Partido Popular (PP) obteve 20,13% dos votos, atrás de Cidadãos (12,17%), Podemos (10,05%) e Vox (6,2%).

Espanha

Além do bom resultado na UE, o partido socialista se destacou nas eleições regionais e municipais deste domingo (26), conquistando as comunidades autônomas de Madri, Castela e Leão, Castela-Mancha, Aragão, Ilhas Baleares, Astúrias, Ilhas Canárias, La Rioja e Estremadura.

A única derrota em âmbito regional foi na comunidade de Cantábria, onde há a forte presença de um partido estritamente local.

Por outro lado, o Psoe não conseguiu avançar em Madri, onde prevaleceu o PP, com 24,23% dos votos. O partido conservador agora pode formar um governo de coalizão na capital com o Cidadãos e o Vox, o que colocaria a extrema direita no poder na maior cidade do país.

Para Sánchez, a expectativa é de que os resultados deste domingo o fortaleçam nas negociações para formar um novo governo, já que, mesmo com a maior bancada, o Psoe não tem maioria no Parlamento. O voto de confiança está previsto para junho.