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BP enfrenta protesto por clima em reunião com acionistas; política da Shell rende elogios

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Ativistas interromperam uma assembleia anual de acionistas da BP nesta terça-feira aos gritos de "essa é a cena de um crime", no mais recente protesto contra as mudanças climáticas sobre o grupo de petróleo e gás, enquanto a rival Shell recebeu raros elogios de investidores a suas políticas sobre emissões.

As duas gigantes do petróleo têm trabalhado com acionistas nos últimos anos para tentar definir um caminho que leve ao atendimento das metas do acordo climático de Paris de 2015, que visa limitar o aquecimento global.

Rivais nos Estados Unidos, como Exxon e Chevron, também estão sob pressão dos acionistas, mas até o momento não se comprometeram com metas.

Duas mulheres que protestaram dentro da assembleia geral da BP em Aberdeen, na Escócia, foram carregadas para fora por seguranças, enquanto outros manifestantes acionaram um alarme durante o discurso do presidente da companhia, Bob Dudley. Os ativistas queixaram-se que o grupo britânico não tem feito o suficiente para combater o aquecimento global.

A ação vem um dia após um protesto do Greenpeace ter bloqueado a entrada da sede da BP em Londres, demandando que a empresa suspendesse a exploração de novas áreas de petróleo e gás.

A BP concordou em fevereiro com um grupo de acionistas conhecido como Climate Action 100+ sobre uma resolução para aumentar sua transparência sobre emissões de carbono, definir metas para reduzir emissões de suas operações e para associá-las ao pagamento de seus executivos.

Essa resolução ganhou forte apoio dos acionistas durante a assembleia geral.

Mas, com as emissões da BP tendo subido em 2018 para o maior nível em seis anos, os acionistas também pressionaram a empresa a fazer mais, seguindo a Shell, que impôs limites mais restritos de emissões.

Do lado de fora da assembleia, dezenas de pessoas seguravam cartazes em que se lia: "BP, criminosos do clima" e "emergência climática". Cerca de 20 ativistas ambientais também se encontraram do lado de fora de uma assembleia da Shell.

Mas a Shell foi elogiada por alguns de seus acionistas por ter definido as mais ambiciosas políticas climáticas do setor no ano passado.

Elas incluem reduzir as chamadas emissões de escopo 3, de combustíveis vendidos aos consumidores ao redor do mundo, além das emissões das próprias operações da companhia.

O diretor de Ética e Engajamento do Fundo de Pensão da Igreja da Inglaterra, Adam Matthews, que representa os acionistas junto à Shell em questões climáticas, disse que a estratégia do grupo é um exemplo para outras companhias.

"Sugiro que uma mensagem conjunta seja enviada desta assembléia-geral para outros dentro do setor (de petróleo e gás) e para investidores que ainda precisam adotar uma abordagem que leve em conta a grande maioria do impacto na sociedade e no clima, definindo metas que cubram as emissões de escopo 3", disse Matthews.

Acionistas da BP também elogiaram a empresa por apoiar as resoluções climáticas, mas alguns deles querem estabelecer metas mais rigorosas para incluir as emissões de escopo 3, que são muito maiores que as emissões das operações da BP.

O CEO da BP tem repetidamente se negado a definir metas para o escopo 3, uma vez que essas emissões não estão sob controle da empresa.

Uma resolução apresentada por acionistas que defendiam metas incluindo as emissões de escopo 3 teve o apoio de apenas 8,35% dos votos na assembleia, enquanto uma resolução apoiada pelo conselho da BP obteve 99,14% de apoio.

A BP disse que pretende manter as emissões de suas operações estáveis na década até 2025 e destacou que investe cerca 500 milhões de dólares por ano em energia e tecnologias de baixo carbono, como eólicas e solares.