Preparem-se para o poder, dizem líderes de partidos da Espanha aos eleitores no fim da campanha

Os líderes de todos os principais partidos políticos da Espanha convidaram seus partidários na noite de sexta-feira para se prepararem para o poder, conforme a campanha para a eleição mais disputada das últimas décadas chegava ao fim.

Nenhum partido conseguirá a maioria do Parlamento nas eleições de domingo, e as pesquisas de opinião sugerem que todos os cinco principais candidatos têm uma chance real de desempenhar um papel no governo.

Divisiva e muitas vezes mal-humorada, a campanha foi travada principalmente em temas emocionais --notadamente questões de identidade nacional ligadas ao desejo de independência da Catalunha-- com a economia ocupando um raro assento de trás.

Com o fim da campanha à meia-noite de sexta-feira, os líderes partidários permaneceram na maior parte não comprometidos com possíveis alianças após a votação, embora o cenário político da Espanha tenha efetivamente se aglutinado em dois blocos eleitorais distintos, um à esquerda e outro à direita.

O primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, que sinalizou aberturas para a extrema-esquerda durante um debate televisionado na terça-feira, citou o presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente brasileiro, de extrema-direita, Jair Bolsonaro, ao advertir os partidários para a possibilidade de uma aliança de direita assumir o poder.

Um governo de direita poderia ser formado por três partidos e incluiria o radical recém-chegado Vox, parte de um movimento de extrema-direita mais amplo que já entrou no governo em alguns países europeus, especialmente na Itália.

"Ninguém deu a Trump qualquer chance de se tornar presidente e ele é. Ninguém pensou que Bolsonaro se tornaria presidente do Brasil, e ele é", disse Sánchez a uma multidão de cerca de 3.000 pessoas no subúrbio madrileno de Vallecas.

Sob o cenário mais otimista para os socialistas, Sánchez poderia continuar como líder da quarta maior economia da zona do euro, com o Podemos como um aliado.

Mas a maioria das pesquisas tem mostrado que é provável que precisem de apoio de partidos nacionalistas menores, principalmente da Catalunha, que buscaria concessões que Sánchez --rotulado de traidor pela direita por estar aberto ao diálogo com secessionistas-- pode achar difícil de aceitar.

O líder socialista recusou-se constantemente a discutir a questão da independência catalã.

As pesquisas de opinião oficiais terminaram na segunda-feira, com até quatro em dez eleitores ainda indecisos.

Desde então, as sondagens informais da mídia sugerem que as intenções dos eleitores podem ter mudado, com o Vox como possível beneficiário.

Isso elevou a perspectiva da coalizão de direita, que também incluiria o Ciudadanos, de centro-direita, ganhar votos suficientes para formar a maioria --apesar de muitos verem um Parlamento em impasse e novas eleições como o mais provável.