Sindicatos se manifestam por mudança de rumo econômico na Argentina

Milhares de manifestantes protestaram nesta quinta-feira (4), em Buenos Aires, contra as "políticas de ajuste" do governo de Maurício Macri, de quem exigem uma mudança de curso econômico em um ano marcado pelas eleições presidenciais argentinas de 27 outubro.

"O governo pede empréstimo ao FMI, mas nós estamos morrendo de fome", disse à AFP Julián Pérez, de 19 anos, que chegou de La Plata (60 km ao sul) para "pedir postos de trabalho" com seus companheiros da cooperativa Aníbal Verón. Ele vive de um subsídio estatal de 5 mil pesos mensais (116 dólares), menos que meio salário mínimo.

Em reação à marcha, Macri afirmou nesta quinta, em um ato na província de Entre Ríos, sua rejeição total às demandas: "Estamos no caminho correto, estamos construindo uma Argentina a sério".

O protesto faz parte de um clima social conflituoso, com um governo determinado a adotar os ajustes necessários para alcançar este ano o déficit zero prometido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para receber uma assistência financeira de US$ 56 bilhões até 2020.

Sindicatos, trabalhadores e organizações sociais aderiram à mobilização convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical, para a qual várias organizações combativas pediram a chamada da quarta greve geral contra Macri.

"Esta mobilização é mais forte que dez greves e pode ser o pontapé inicial para outras. Este governo conseguiu não estar bom para ninguém... Quem disse que não vamos adiante?", declarou Héctor Daez, um dos líderes do setor varejistas e porta-voz da CGT.

Já Sergio Palazzo, líder do setor combativo da CGT, disse que defende "a necessidade de uma greve para que Macri mude sua política de fome".

"Estamos mal. Não conseguimos pagar pela eletricidade, o gás. Antes, as pessoas do bairro costumavam fazer pequenos trabalhos informais de construção, jardinagem, mas agora não há mais, porque a classe média está caindo. Este ano se nota que os aumentos também afetam eles", alertou Blanca Carmona, de 55 anos, de Lomas de Zamora (periferia sul), na coluna da opositora Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).

 

"Essa mobilização é mais uma expressão da inquietação que existe", disse à AFP o sindicalista Juan Carlos Schmid, líder do sindicato dos funcionários da Dragagem e Sinalização e líder da Confederação dos Transportes.

Segundo Schmid, "nesse caminho estamos indo para o abismo". "A política econômica tem que mudar, até agora tem havido uma política de ajuste permanente".

Em três anos de governo, Macri não conseguiu controlar a inflação, que foi a 47,6% em 2018, a segunda maior da América Latina e entre as 10 mais altas do mundo, e que acumulou 6,7% nos dois primeiros meses do ano.

O país registrou uma queda acentuada no consumo e um colapso da indústria que sofre uma das piores crises da última década e opera com metade de sua capacidade instalada.

Soma-se a isso o aumento incessante de custos e tarifas de serviços públicos, com aumento do desemprego (9,1% no último trimestre de 2018) e a pobreza, que no ano passado subiu de 25,7% para 32%.

Em frente ao Congresso, alguns jovens penduraram uma grande bandeira com os dizeres: "Greve geral agora".

"É a única maneira de derrotar os planos de ajuste de Macri", opina Nazarena Luna, ativista de esquerda de 27 anos.

"Na Argentina há uma combinação letal e perversa de tarifas impagáveis, mercado interno destruído como resultado de salários perdidos dia após dia devido à inflação, demissões em massa que afastam pessoas do mercado como consumidores, abertura indiscriminada de importações, interesse desequilibrado e pressão fiscal impraticável ", afirmou a CAME, que representa as pequenas e médias empresas.