Relatório do procurador especial estraga a festa de Trump

Donald Trump cantou vitória após o aparente fracasso da investigação sobre a possível conspiração com a Rússia, mas nesta quinta-feira, 11 dias depois, viu a situação se reverter.

Mais de uma vez, o presidente proclamou que a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre os vínculos da equipe da campanha presidencial de Trump com Moscou teve como resultado uma "exoneração" total.

Mas essa afirmação do presidente se baseia nas conclusões de William Barr, o procurador-geral escolhido por ele mesmo, que publicou um resumo de quatro páginas do relatório. A íntegra do texto, com centenas de páginas, ainda não foi levado a público.

A imprensa americana, citando fontes da equipe de Mueller, garantiu que no resumo, Barr ignorou as revelações potencialmente prejudiciais para Trump.

"Membros da equipe de Mueller se queixaram para os colaboradores próximos que as provas reunidas sobre a obstrução foram alarmantes e significativas", informou o Washington Post na noite de quarta-feira.

Já o New York Times citou fontes anônimas que garantiram que o procurador-geral "não apresentou adequadamente as descobertas da investigação e que elas eram mais preocupantes para o presidente Trump do que Barr indicou".

O Departamento de Justiça se viu obrigado a defender o resumo de Barr na quinta-feira, informando que "cada página" do relatório de Mueller foi catalogado por conter material potencialmente confidencial e insistiu que o texto virá a público na íntegra assim que forem concluídas as "redações apropriadas".

No Twitter, Trump escreveu que o Times "não tinha fontes legítimas, que seriam totalmente ilegais, em relação com o Relatório Mueller. De fato, provavelmente não tinham nenhuma fonte! É um jornal de notícias falsas que já se viu obrigado a pedir desculpas por suas incorretas e péssimas informações sobre mim! "

 

 

Durante dois anos, Trump reprovou várias vezes a "caça às bruxas" de Mueller e acusou de idiotice a ideia de que poderia ter feito um acordo com a Rússia para guiar a opinião pública a seu favor durante as eleições de 2016.

Segundo Barr, Mueller descobriu que ninguém na equipe do atual presidente "conspirou ou trabalhou em coordenação com a Rússia".

Sobre a questão da possibilidade de Trump ter tentado obstruir a justiça e evitar que Mueller o investigasse livremente, Barr disse que o procurador especial não chegou a uma conclusão definitiva.

"Se bem que este relatório não conclui que o presidente cometeu um delito, também não o exonera", afirmou Barr em referência a uma conclusão de Mueller.

Essa afirmação soava perigosamente ambígua para o presidente, mas o próprio Barr avaliou que se não havia nenhum delito de obstrução, Trump poderia dizer que era uma vitória.

Numa série de postagens no Twitter, Trump afirmou que o documento mostrava que ele tinha razão. Além disso, acusou de traição os funcionários encarregados de fazer cumprir a lei e os políticos do Partido Democrata que apoiaram a investigação de Mueller.

 

 

Mas o questionamento dos democratas sobre o motivo da não divulgação do relatório completo e o vazamento de informações para a imprensa feitos pela equipe de Mueller estão tirando o gosto desta vitória de Trump.

Nesta quinta-feira, o porta-voz do Departamento de Justiça, Kerri Kupec, defendeu o resumo do relatório feito por Barr.

"Dado ao extraordinário interesse público no assunto, o procurador-geral decidiu divulgar os resultados finais do relatório e suas conclusões de imediato, sem tentar resumir o mesmo, por entender que o documento será publicado após o processo de redação", explicou.

Barr "não crê que o relatório deve ser publicado 'na íntegra ou fragmentada'", acrescentou.

No meio dessa questão, Trump voltou ao Twitter com ataques aos oponentes.

"De acordo com as pesquisas, interessa a poucas pessoas o engodo da conspiração russa, mas alguns democratas estão lutando para manter viva a caça às bruxas", escreveu nesta quinta-feira o presidente.

"Deveriam focar na legislação ou, melhor ainda, numa investigação sobre como começou a ridícula ilusão da conspiração".

O advogado de Trump, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, quis voltar a uma batalha supostamente encerrada.

Na quarta-feira, numa entrevista à emissora Fox News, chamou a equipe de Mueller "um grupo de antiéticos que filtram as informações", acrescentando que seriam "democratas raivosos que odeiam o presidente dos Estados Unidos".

"Acreditamos que podemos provar acima de qualquer dúvida que no há nada de conluio", disse Giuliani sobre a participação da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

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