EUA pedem ao Conselho de Segurança da ONU reunião sobre ajuda à Venezuela

Os Estados Unidos pediram nesta quinta-feira ao Conselho de Segurança da ONU que realize uma reunião na próxima semana para discutir a assistência humanitária à Venezuela, informaram diplomatas.

O pedido de uma reunião, que aconteceria na quarta-feira, dia 10, ocorre em meio ao crescente alarme sobre o impacto do agravamento da situação política e econômica venezuelana sobre as crianças e suas famílias.

Um relatório interno da ONU ao qual a AFP obteve acesso na semana passada assegura que sete milhões de pessoas - um quarto da população venezuelana - precisa de ajuda humanitária porque não tem acesso a alimentos e remédios.

Cerca de 3,7 milhões de pessoas sofrem de desnutrição - três vezes mais do que no período de 2010 a 2012 - segundo o relatório. Pelo menos 22% das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crônica na Venezuela.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, culpa as sanções impostas pelos os Estados Unidos, mas o líder da oposição Juan Guaidó, que se declarou presidente interino, diz que a crise se deve à corrupção e ao desgoverno.

Guaidó é reconhecido como presidente pelos Estados Unidos e mais de 50 países.

Em uma nota que circulou no Conselho, a missão americana na ONU pediu uma reunião aberta sobre a Venezuela para permitir que receba um relatório da crise da parte do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, ou seu representante.

"Dada a deterioração da situação humanitária no país, acreditamos que um relatório é necessário e oportuno", diz a nota, à qual a AFP obteve acesso.

Os Estados Unidos pediram em fevereiro ao Conselho que adote uma resolução pedindo novas eleições presidenciais na Venezuela e livre entrada de ajuda humanitária, mas embora tenha obtido uma maioria dos votos, foi vetada pela Rússia e pela China.

A Rússia acusa Washington de buscar uma mudança de regime na Venezuela, enquanto a China enfatiza que ninguém deve interferir nos assuntos internos do país sul-americano.

Maduro acusa Guaidó e os Estados Unidos de usar assistência humanitária para fins políticos, para derrubá-lo.

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