May e Corbyn têm negociações construtivas para superar impasse do Brexit

A primeira-ministra britânica, Theresa May, e o líder da oposição, Jeremy Corbyn, classificaram as negociações desta segunda-feira para tentar sair do impasse do Brexit como "construtivas".

"As negociações foram construtivas. As duas partes mostraram flexibilidade e se comprometeram a dar fim à incerteza do Brexit", declarou um porta-voz da líder conservadora.

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Primeira Ministra Britânica, Theresa May (Foto: MARK DUFFY / UK PARLIAMENT / AFP)

Ele ainda informou que existe um acordo para criar um programa de trabalho para "proteger o emprego e a segurança" dos britânicos.

Do lado trabalhista, as negociações também foram classificadas como "construtivas".

"Não houve tanta evolução como se esperava", afirmou Corbyn que acrescentou que as discussões continuarão na quinta-feira.

Até agora, o Parlamento de Westminster não aprovou nenhuma das opções do Brexit: derrubou o Tratado de Retirada assinado em maio com os outros 27 líderes europeus e rejeitou todas as alternativas apresentadas pelos deputados.

O país deveria ter saído do bloco na semana passada, mas ante o bloqueio que a UE concedeu até 12 de abril para apresentar uma solução, solicitar uma extensão longa ou aceitar um Brexit sem consenso e com sérias consequências econômicas.

May ficou sem argumentos para convencer os eurocéticos mais resistentes dentro de seu Partido Conservador, então finalmente decidiu recorrer a seu inimigo jurado em busca de uma saída que tenha o apoio de uma maioria parlamentar.

A unidade nacional é necessária para defender o interesse nacional", declarou ela, para justificar sua decisão, que foi muito mal recebida por parte de sua formação.

O deputado conservador Jacob Rees-Mogg, líder do principal grupo eurocético da Câmara dos Comuns, lamentou que o futuro do Brexit tenha sido deixado para Corbyn, "um notório marxista".

E dois secretários de Estado se demitiram nesta quarta-feora.

Chris Heaton-Harris, que estava encarregado dos preparativos para uma eventual saída sem acordo no ministério do Brexit, afirmou não poder "simplesmente apoiar uma nova extensão".

Anteriormente, Nigel Adams, secretário de Estado para Gales, renunciou, alertando em uma carta a May que ela está cometendo "um grave erro".

Enquanto isso, um grupo de deputados, chefiados pela trabalhista Yvette Cooper e pelo conservador Oliver Letwin queriam seguir adiante com seus planos e aprovaram nesta quarta, com 312 votos a favor e um contra, uma proposta de lei destinada a solicitar à UE uma extensão cuja duração ainda está por ser definida.

Dessa forma, seria evitada uma saída sem acordo dentro de nove dias.

Corbyn declarou estar "muito feliz" em participar dessas negociações, mas avisou que até agora a líder conservadora "não mostrou muitos sinais de querer fazer concessões".

A resposta da UE deve chegar no início da tarde, por ocasião de um discurso do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em Bruxelas.

O Partido Trabalhista de Corbyn defendeu repetidas vezes a necessidade de que, após o Brexit, o Reino Unido permaneça em uma união aduaneira com a UE e respeite boa parte das regras do mercado comum europeu para proteger o comércio e os direitos dos trabalhadores.

O encontro entre May e Corbyn deve ocorrer no período da tarde, após a sessão semanal de perguntas à primeira-ministra na Câmara dos Comuns e, segundo o ministro do Brexit, o eurocético Stephen Barclay, o governo participará no encontro com o espírito aberto.

"Não impusemos condições prévias, e tampouco se trata de dar um cheque em branco", afirmou à rádio BBC4.

O próprio presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, advertiu de que o risco de um Brexit sem acordo é "alarmantemente alto".

 

Apesar da persistente incerteza, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse em Bruxelas que a UE vai trabalhar "até o último minuto para evitar a falta de acordo" que, segundo ele, reforçaria políticas "populistas e nacionalistas" e seria ótimo para quem "quer enfraquecer a UE e o Reino Unido".

A chanceler alemã Angela Merkel também prometeu lutar "até o último minuto do dia para chegar a uma saída ordenada", antes de viajar a Irlanda, país vizinho do Reino Unido que sofrerá muito com as consequências de um Brexit sem acordo.

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