Guaidó diz que pode ser detido após decisão sobre sua imunidade

O líder da oposição, Juan Guaidó, declarou nesta terça-feira que poderá ser detido depois que a mais alta corte da Venezuela abriu a possibilidade de tirar sua imunidade parlamentar.

"Eles podem tentar me sequestrar", disse Guaidó, reconhecido como presidente interino do país por mais de 50 países, quando foi questionado por jornalistas sobre uma decisão que pediu à Assembleia Constituinte a suspensão de sua imunidade.

Essa decisão preparou o caminho para o presidente do Legislativo ser submetido a um tribunal ordinário, em um momento em que o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) o investiga por supostamente usurpar as funções do presidente Nicolás Maduro, que também o acusa de planejar uma atentado contra ele.

"Vocês sabem como atua o regime. Isso não é nem perseguição, isso é inquisição", disse o líder da oposição, que ignorou a decisão da Suprema Corte e da Assembleia Constituinte porque considerá-las inconstitucionais.

O TSJ considera que o deputado violou a proibição de deixar o país imposta em 29 de janeiro, quando abriu a investigação para a usurpação.

Guaidó, que tem o forte apoio dos Estados Unidos, disse várias vezes que o governo de Maduro não ousa prendê-lo.

Em entrevista ao jornal mexicano El Universal publicada nesta terça-feira, Guaidó também atacou a base legal que o governo de Maduro usou para justificar sua inabilitação para ocupar cargos públicos por 15 anos.

"A Controladoria Geral não tem as faculdades para inabilitar um funcionário, porque é isso que nossa Constituição estabelece; o que existe é uma perseguição política em todos os níveis, é desviar a atenção do que realmente está acontecendo na Venezuela. Trata-se de uma perseguição política vulgar", disse Guaidó, reconhecido por 50 países como o presidente encarregado da Venezuela.

"Ele não tem o poder nem o apoio para fazer isso, de modo que este impedimento não vem", disse o líder parlamentar, afirmando que Amoroso foi nomeado pela Assembleia Constituinte chavista, o que o torna ilegítimo.

"O regime de Maduro quer me inabilitar porque estamos rumo a eleições livres, para uma verdadeira democracia. Maduro zomba de uma eventual solução na Venezuela", acrescentou.

A inabilitação política de Guaidó foi condenada pelos países do International Contact Group (ICG) na Venezuela - promovido pela União Européia e formado por oito países europeus e quatro latino-americanos - e pelos Estados Unidos.

 

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