Israel reabre postos fronteiriços em Gaza após seis dias de fechamento

Israel reabriu neste domingo os postos fronteiriços com Gaza, em meio a negociações de uma trégua, seis dias após seu fechamento devido ao lançamento de foguete vindo do enclave, seguido por uma nova escalada de tensão entre o Estado hebreu e o Hamas.

As autoridades israelenses tomaram esta decisão apesar dos cinco novos foguetes lançados neste sábado à noite na Faixa de Gaza em direção de Israel e dos disparos de tanques israelenses contra posições do Hamas no enclave palestino como represália. Esses disparos não deixaram vítimas.

Os postos de Erez, para pessoas, e Kerem Shalom, para mercadorias, foram fechados na segunda-feira passada depois de um foguete disparado do enclave palestino alcançar uma casa no centro de Israel e deixar sete feridos.

Essa reabertura dos postos ocorre no dia seguinte às manifestações que reuniram milhares de palestinos na fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel, no primeiro aniversário da mobilização conhecida como a "grande marcha do retorno", contra o bloqueio israelense e pelo direito de voltar às terras que precisaram deixar ou das quais foram expulsos quando o Estado de Israel foi criado, em 1948.

Foram registrados confrontos que deixaram quatro palestinos mortos e centenas de feridos. Mas esses protestos não alcançaram o nível de violência temido pelos observadores.

Desde 30 de março de 2018, milhares de palestinos participaram destas marchas ao longo da fronteira israelense. Pelo menos 262 deles morreram por disparos de soldados israelenses nessas manifestações. Do lado de Israel, dois militares morreram.

 

Ao fim de uma semana de tensão, em um contexto complicado com a aproximação das eleições legislativas israelenses, em 9 de abril, este aniversário despertou temores de que pudesse iniciar um novo conflito entre Israel e Hamas - o quarto desde que o movimento islâmico tomou o controle do enclave em 2007.

As Forças Armadas israelenses tinham enviado milhares de soldados e dezenas de franco-atiradores, assim como tanques e armas.

No domingo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reafirmou que seu país continuava "preparado para uma operação" militar em Gaza.

"Dei a ordem de deixar as forças em alerta, estamos preparados para qualquer eventualidade, inclusive uma operação de grande envergadura", declarou Netanyahu no aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv, durante cerimônia para receber o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Israel enviou reforços nos últimos dias no entorno do enclave.

O Egito, intermediário tradicional entre Hamas e Israel, tenta instaurar uma trégua duradoura, enquanto ambos parecem reticentes com um novo confronto.

O Hamas precisou controlar recentemente manifestações de protesto no enclave pela situação econômica, a pobreza e o isolamento. As manifestações foram duramente reprimidas.

Já Netanyahu, no poder há uma década e enfrentando dura concorrência nas legislativas, é acusado por seus adversários de ser fraco frente ao Hamas, mas não quer entrar em uma nova guerra antes das eleições.

O Hamas quer reduzir o bloqueio israelense nas negociações. Israel justifica o bloqueio pela necessidade de conter o Hamas e reclama um retorno da tranquilidade à fronteira.

 

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