Opositor Juan Guaidó inabilitado para exercer cargos públicos na Venezuela

O líder do Parlamento e autoproclamado presidente interino Juan Guaidó foi inabilitado para ocupar cargos públicos durante 15 anos, em um contexto cada vez mais crítico por um grande apagão e a disputa entre Washington e Moscou por suas relações com o país sul-americano.

A Controladoria Geral decidiu "desativar o exercício de qualquer cargo público do cidadão (Juan Guaidó) pelo prazo máximo estabelecido na lei", declarou o controlador do governo, Elvis Amoroso, por meio da televisão estatal.

A lei venezuelana prevê uma pena máxima de 15 anos, lembrou o funcionário.

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Auto declarado presidente da Venezuela, Juan Guaidó (Foto: Federico PARRA / AFP)

Em reação imediata, Guaidó declarou que desconhecerá a decisão da Controladoria Geral.

"Não é um controlador (...) nem há uma inabilitação (...) O Parlamento legítimo é o único que pode nomear um controlador", declarou Guaidó, recordando que Elvis Amoroso foi nomeado pela Assembleia Constituinte no poder, ligada ao líder socialista Nicolás Maduro no poder.

A Contraloria alega que em suas declarações patrimoniais, Guaidó não justifica gastos feitos no país e no exterior, com recursos supostamente vindos do exterior.

"Ele fez mais de 91 viagens fora do território com um custo que ultrapassa 310 milhões de bolívares (cerca de US$ 94 mil), sem justificar a fonte de renda", afirmou o controlador, acrescentando desde que assumiu o cargo de deputado, em 2016, Guaidó "ficou mais de 248 dias" no exterior.

A Controladoria Geral havia anunciado no dia 11 de fevereiro a abertura de uma investigação contra o opositor por receber financiamento internacional, o que caracterizaria um ato de corrupção.

Os Estados Unidos descreveram a decisão como "ridícula".

"É ridículo", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino.

 

 

Na quarta-feira, Guaidó convocou protestos para o próximo sábado pelos grandes apagões que atingiram o país desde o dia 7 de março.

Em resposta, Maduro pediu "uma grande mobilização em todo o país" contra o que qualifica um "novo ataque criminoso ao sistema elétrico". O presidente também pediu aos "coletivos" - grupos chavistas que a oposição denuncia como grupos armados - "tolerância zero com as guarimbas", como chama os protestos violentos e bloqueios de rua.

O governo prorrogou até esta quinta-feira a suspensão das jornadas de trabalho e escolar, totalizando três dias de feriado desde o corte de energia que começou na segunda-feira à tarde.

A luz voltou para a "imensa maioria do povo venezuelano", de 30 milhões de habitantes, segundo o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez.

Maduro afirma que um franco-atirador provocou com "balas de alto calibre" uma explosão na usina hidrelétrica de Guri, que gera 80% da eletricidade do país. A explosão, disse ele, produziu um incêndio que prolongou o blecaute.

Com o passar dos dias, a crise foi agravada com a suspensão do bombeamento de água, a paralisia dos transportes, particularmente o metrô de Caracas, e cortes nas comunicações que afetaram o sistema bancário eletrônico, vitais devido à escassez de dinheiro gerada pela hiperinflação.

 

Um dia depois de o presidente Donald Trump afirmar que a Rússia deve sair da Venezuela, Moscou assegurou nesta quinta que suas tropas permanecerão no país sul-americano "o tempo que for necessário" e disse a Washington que não se "preocupe" com suas relações com Caracas.

"Não achamos que terceiros países devam se preocupar com as nossas relações bilaterais", declarou o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov. "Não estamos interferindo absolutamente", acrescentou.

Dois aviões russos, um Antonov An-124 e um Ilyushin Il-62, chegaram na semana passada à Venezuela. Segundo a imprensa local, eles transportaram 99 soldados e 35 toneladas de materiais, sob o comando do chefe do Exército, general Vasili Tonkoshkurov.

Em meio à pressão internacional contra Maduro, Rússia e China, principais credores da dívida externa venezuelana (estimada em 150 bilhões de dólares), se tornaram os grandes aliados do presidente socialista.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, afirmou que os 99 soldados são "especialistas" que chegaram ao país como parte de acordos de cooperação.

 

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