Dois suicídios abrem ferida deixada pelo massacre de Parkland

A comunidade de Parkland lidava, nesta segunda-feira, com dois suicídios, com poucos dias de diferença entre si, de estudantes que sobreviveram ao ataque a tiros em uma escola nesta cidade no sul da Flórida no ano passado, que deixou 17 mortos.

Sydney Aiello, de 19 anos, tirou a própria vida na semana passada, após sofrer por um ano com a "síndrome do sobrevivente", na qual a vítima se questiona por que se salvou da morte.

Agora, neste domingo, a polícia informou que um segundo estudante da escola Marjory Stoneman Douglas morreu em um "aparente suicídio", embora não tenha revelado sua identidade.

A notícia se espalhou nas pequenas comunidades de Parkland e da vizinha Coral Springs. Na noite de domingo, pais, estudantes, funcionários e professores se reuniram para discutir a necessidade de oferecer mais apoio terapêutico para lidar com o trauma deixado por um dos piores ataques a tiros da história recente dos Estados Unidos.

"É um dos muitos encontros com especialistas em saúde mental da cidade e do condado para garantir que nossos estudantes, professores e pais recebam a informação necessária para prevenir o próximo suicídio", explicou Max Schachte, pai de Alex, um dos 17 que morreram no ataque em 14 de fevereiro do ano passado.

"Todos estão levando seriamente esta crise para salvar vidas", acrescentou.

Ryan Petty, cuja filha de 14 anos, Alaina, morreu no ataque, também participou da reunião deste domingo.

"Temos que reconhecer que, após um acontecimento como este, haverá trauma, ansiedade e depressão", disse Petty ao jornal local Sun Sentinel. "Temos que educar os pais e professores para reconhecer sinais e fazer as perguntas adequadas".

Petty acrescentou que o grupo adotou o "Protocolo de Columbia" - uma série de perguntas que podem ajudar familiares e amigos e detectar se alguém corre risco de suicídio. Se o jovem responder positivamente, é recomendado que entrem em contato com o telefone de prevenção ao suicídio.

 

Os pais que participação da reunião vão tentar informar todos os demais por e-mail, redes sociais e ligações, estimulando-os a fazer as perguntas corretas.

No Twitter, ficou popular a fórmula "17+2", para se referir ao número de vítimas fatais que o ataque deixou, ao todo.

O superintendente de escolas de Broward - o condado onde fica Parkland -, Robert Runcie, estimulou sobreviventes, amigos e familiares das vítimas a visitar o "Centro de Resiliência" estabelecido em um parque perto da escola, onde há médicos disponíveis toda a tarde.

Os estudantes não estão em aula nesta segunda, devido ao recesso de primavera, que termina na primeira semana de abril.

O legislador da câmara dos deputados estadual, Shevrin Jones, disse que está trabalhando em uma medida para melhorar o tratamento psicológico nas escolas e comunidades. "Este assunto não pode esperar", comentou no Twitter.

"Parem de nos dizer 'já já superaremos'. Ninguém supera algo que nunca deveria ter acontecido", escreveu David Hogg, um dos sobreviventes que alcançou maior notoriedade nacional após o ataque por seu combate à venda liberada de armas.

"O trauma e a perda não somem simplesmente. Você tem que aprender a viver com eles e buscar apoio", afirmou o ativista de 18 anos.

 

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