Eslováquia elege presidente com morte de jornalista como pano de fundo

Os eslovacos votaram neste sábado (16) no primeiro turno das eleições presidenciais que poderão levar ao poder uma advogada ambientalista liberal, um ano após o assassinato de um jornalista que desencadeou enormes manifestações no país.

Zuzana Caputova, de 45 anos, participou das manifestações que denunciavam o assassinato do jornalista Jan Kuciak no ano passado, um crime que causou uma crise política neste país de 5,4 milhões de habitantes, membro da União Europeia e da Otan.

Com 98,7% dos votos apurados, Caputova, vice-presidente do Partido Eslováquia Progressista, sem representação no Parlamento, aparece confortavelmente à frente do escrutínio com 40,53% dos votos.

Ela enfrentará no segundo turno em 30 de março Maros Sefcovic, 52 anos, vice-presidente da Comissão Europeia, apoiado pelo partido Smer-SD (no poder), que tem 18,66% dos votos.

Com o apoio do atual presidente Andrej Kiska, Caputova defende o "combate ao mal" e a restauração da confiança no Estado.

Outros 11 candidatos estão em disputa nestas eleições, mas nenhum aparece com a chance de vencer no primeiro turno.

Na quinta-feira, dois dias antes das eleições, o Ministério Público relançou o caso Kuciak, acusando o empresário Marian Kocner, que poderia estar ligado ao Smer-SD, de supostamente ordenar o assassinato do jornalista.

Jan Kuciak e sua parceira Martina Kusnirova foram assassinados em sua casa em fevereiro de 2018.

O jornalista ia publicar um reportagem sobre supostas relações entre políticos eslovacos e a máfia italiana, e também sobre fraudes contra fundos agrícolas europeus.

Em seus artigos, ele falou, entre outros, de Marian Kocner, dona de várias empresas imobiliárias.

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